A ação tem o objetivo de recuperar e adequar ao novo Código Florestal as áreas dos acampamentos Terra livre e Mãe dos Pobres

No início deste mês, duas mil mudas de árvores nativas foram entregues às famílias dos acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Terra Livre e Mãe dos Pobres, situados em Clevelândia.

A ação tem o objetivo de recuperar áreas de preservação permanente (APPs) nas terras ocupadas, através do reflorestamento da mata ciliar em torno de cursos de água e nascentes.

De acordo com a dirigente do Acampamento Terra Livre, Lourdes Spagnol Belusso, a finalidade é adequar, ambientalmente, as comunidades. Segundo ela, o problema maior no local são as diversas nascentes sem árvores ao redor. “Conseguimos recuperar uma parte, porém ainda precisamos de mais mudas”, explicou a dirigente contando que mais árvores foram solicitadas a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema) de Clevelândia.

Conforme Lourdes, quando houve a ocupação do local, em setembro de 2015, os 47,5 alqueires de terra se encontravam em uma situação bastante degradada e com o tempo foram sendo recuperados. “Apesar de estarmos ainda em processo de luta para a regularização fundiária, entendemos que é muito importante proteger nossas águas e nosso solo, não só para atender os critérios legais, mas também para garantir nosso futuro e das pessoas que virão depois de nós.”

Das duas mil mudas disponibilizadas aos acampamentos, 1.500 foram plantadas na área do acampamento Terra Livre e 500 no Mãe dos Pobres. De acordo com a coordenadora estadual do MST, Bruna Zimpel, o Mãe dos Pobres, ocupado a mais de 15 anos, possui uma grande extensão de área recuperada, onde, dos 200 alqueires de terra, 50 são reserva ambiental.

Tipos de árvores

O engenheiro florestal da Sema, Welton José Valério, contou que todas as mudas plantadas nos acampamentos são das classes pioneiras, secundárias e clímax. Segundo ele, a intenção é substituir as espécies exóticas por nativas. “Diversificamos porque umas árvores se desenvolvem de forma mais rápida do que outras. Assim, as maiores acabam fazendo sombra para as que não toleram muito sol”, explicou.

Valério disse ainda que as áreas degradadas, atualmente usadas para agricultura e pecuária, serão reconstituídas para enquadrar o novo Código Florestal.

Entre as mudas, encontram-se Angico-vermelho, Araucária, Aroeira- pimenteira, Açoita-cavalo, Branquilho, Canafístula, Cedro-rosa, Cerejeira do mato, Maricá, Pitanga e Vacum.

Todas as plantas foram disponibilizas pelo Instituto Água e Terra (IAT) ao Município de Clevelândia, que cedeu para o reflorestamento.

Plano nacional

O plantio de mudas nos acampamentos em Clevelândia faz parte do plano nacional do MST — “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”. A campanha tem o objetivo de plantar, nos próximos dez anos, 100 milhões de árvores em todos os estados brasileiros.

Conforme a coordenadora estadual do MST, Bruna Zimpel, desde o início da campanha, cerca de quatro mil mudas de árvores nativas foram plantadas em acampamentos do Sudoeste.

Fonte: Diário do Sudeste