Hospitais e profissionais da saúde de Santa Catarina receberam doações de seis toneladas de alimentos produzidas por Movimentos Sociais do Campo neste 7 de setembro

No sete de setembro, duas ações de solidariedade marcaram a data em Santa Catarina. Os municípios de Chapecó e Lages receberam doações de seis toneladas de alimentos produzidos pela agricultura familiar, com distribuição em hospitais para trabalhadoras e trabalhadores da saúde. A ação foi resultado da articulação entre movimentos sociais do campo, pastorais sociais, sindicatos e partidos políticos.

Ao som dos versos “É por amor a esta pátria Brasil, que a gente segue em fileira“, o Hospital Regional do Oeste (HRO), de Chapecó/SC, representado por Rogério Delatorre, presidente da Associação que administra o HRO, recebeu a doação de duas toneladas de alimentos da agricultura familiar da região oeste catarinense. O Bispo Dom Odelir também esteve presente no ato de distribuição e abençoou os alimentos.

O ato de solidariedade em Chapecó foi uma articulação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (FETRAF) com o grupo Sabor Familiar, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), pela Associação Pitanga Rosa, do Sindicato da Saúde (SindiSaúde), Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público e as Pastorais Sociais da Diocese de Chapecó.

No município de Lages, a ação de solidariedade em agradecimento e reconhecimento às trabalhadoras e trabalhadores da saúde ocorreu no Hospital e Maternidade Tereza Ramos. “Foi um momento emocionante, realizado embaixo de chuva, com todos os cuidados exigidos”, relata Vilson Santin, dirigente nacional do MST.

Foram organizadas 200 cestas, a partir de quatro toneladas de alimentos saudáveis doados e produzidos em assentamentos e acampamentos da reforma agrária dos municípios de Correia Pinto, Lebon Régis, Ponte Alta, São Cristóvão do Sul. Além da mística do 7 de Setembro e do Grito dos Excluídos, apresentada pela Pastoral da Juventude, o ato entregou cestas de produtos e contou com a presença do Bispo Dom Guilherme, sindicatos, partidos políticos e instituições religiosas.

Emocionante foram os momentos de entrega dos alimentos aos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, que expressaram gratidão pelo reconhecimento e carinho das famílias camponesas, como ficaram registradas nas palavras de Eva. “Eu trabalho na saúde e quero agradecer, pois é a primeira vez que eu estou recebendo ajuda neste momento, que o governo só pensa em tirar os nossos direitos”, comentou.

Elissandra destacou o sentimento gerado pelo gesto de solidariedade. “Para mim isso representa amor”, disse. E para Rodrigo, o ato simbolizou humanidade. “Sou trabalhador aqui do hospital e venho agradecer esse gesto humano que vocês estão tendo conosco. Desejo sempre que não falte nunca para nós essa bondade, esse alimento”.

Em meio à pandemia, neste 7 de setembro “o patriotismo é a solidariedade de classe”, como observou Álvaro Santin, do setor de produção do MST. Entre as variedades de alimentos, do total das seis toneladas, estavam aipim, alface, feijão, moranga, repolho, leite, compotas com legumes, pães, cucas, doces de abóbora, bolachas, farinha de milho, cenoura, beterraba, ervas medicinais, abacate e outras frutas.

Os atos de doação, as homenagens em reconhecimento às trabalhadoras e trabalhadores da saúde na pandemia e a aproximação do diálogo com a sociedade trabalhadora sobre a Reforma Agrária Popular fizeram parte do conjunto de ações do Grito dos Excluídos.