Prestes a realizar sua 26ª Edição no próximo 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, o Grito dos Excluídos desse ano tem como lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!”. A escolha é uma resposta ao cenário de desmonte de direitos e ao aumento da repressão do Estado contra as populações mais pobres. Mais de 200 atos marcaram as manifestações do Grito em 2019. Apesar de que esse ano a maioria da manifestações será virtual, haverá atos presenciais em algumas cidades, como Brasília, onde o Grito vai se juntar a um ato-performance pelo #ForaBolsonaroEMourão, organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Nesta quinta-feira (27), haverá uma live, juntamente a uma coletiva de imprensa, nas páginas oficiais do movimento (Facebook e Youtube), às 16 horas, para mobilizar a ação.

Ari Alberti, da coordenação do Grito, explica que a escolha do tema anual dialoga com a conjuntura política, social e econômica do país, com a luta dos movimentos sociais, com a simbologia da data e com a Campanha da Fraternidade – realizada anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no período da Quaresma.

“Este ano, percebemos a forte presença de dois elementos na conjuntura do país: o ódio e a violência. Esses dois aspectos estão refletidos em políticas do governo atual, como a liberação do porte de armas, o aumento da velocidade nas rodovias e a retirada da obrigatoriedade da cadeira para o transporte de crianças nos veículos. Sem contar a violência que representam as reformas que retiram direitos da população mais pobre”, observa.

História

A proposta do Grito surgiu no Brasil no ano de 1994 e o 1º Grito dos Excluídos foi realizado em setembro de 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Desde então, é realizado sempre no dia 7 de setembro. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.

Entre as motivações que levaram à escolha do dia 7 de setembro para a realização do Grito está a de fazer um contraponto ao Grito da Independência. A data é considerada simbólica na luta pela soberania popular e conscientização da população sobre os processos de exclusão.

Em 1996, o Grito se torna parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio, da CNBB. A cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de setembro.

O principal objetivo do Grito dos Excluídos é denunciar todas as formas de exclusão e as causas profundas que levam o povo a viver em condições de vida precárias. Cada vez mais, as entidades e movimentos de defesa e promoção de direitos vêm investindo no movimento como forma de denunciar o modelo de desenvolvimento e crescimento econômico que resulta em desigualdade social, miséria, violência e devastação ambiental.

Mais do que uma articulação, o Grito é um processo, uma manifestação popular que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. Ele brota do chão, é ecumênico e vivido na prática das lutas populares por direitos.

Live e coletiva de imprensa

Hoje (27), O Grito vai realizar uma live conjunta com coletiva de imprensa para mobilizar a ação.  O encontro terá a participação de Dom Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima, Vice-presidente da CNBB, da Presidente Nacional da Cáritas Brasileira, Roselaine Mendes Ferreira;  de um Representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), Curitiba/PR; de Rosilene Wansetto da Coordenação do Grito/Romaria dos Trabalhadores/as; e mediação de Cleiton Gomes da Silva, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Serviço

Nesta quinta-feira (27)
Às 16h (horário de Brasília)
Página nacional do Grito dos Excluídos no Facebook  e Youtube (Grito dos Excluídos – Vida em primeiro lugar)

Todomundo.org
com informações: Cáritas do Brasil e CNBB