Querida menina,

Nós não vamos dizer seu nome. Vamos guardá-lo como quem protege e cuida de algo muito, muito precioso. Pois é isso que você é: um ser humano com toda a potencia de liberdade que um coração pode levar adiante. Alguém como todas nós.

Não, não queremos que essa carta chegue até você agora. Queremos que seja cuidada com calma e candura e lide com tudo a seu tempo. Mas, ainda assim, escrevemos. Escrevemos com os olhos transbordando para extravasar a vontade de te dizer: “ei, você é importante”. A vontade de que, de alguma forma, essa pequena frase atravesse a aridez do deserto que estamos vivendo e te encontre. E cuide de você. E te ajude a saber que não, não foi merecido.

Muitas de nós revisitamos uma dor ao ver sua história e escrevemos para encontrar, não só você, mas também cada uma de nós que se viu em você. E dizemos a cada uma: “ei, você importa” e “isso não te define”.

Queremos que você vingue, menina, para além da dor. E cresça, imensa e altiva. Amando seu corpo. E vendo mulheres fortes. No chão de um país que te mereça. Em um país que empenhe todas suas forças, recursos, energias em ensinar seus meninos a não violentar; um país que cultive a liberdade de suas meninas; um país que zele por cada erê.

Sabemos que esse país precisa ser construído e que a monstruosidade do patriarcado rosna cada vez mais alto. Essa carta é um desejo, menina. Mas também é uma promessa: não seremos interrompidas ou definidas pela violência que nos atravessa. Nós, mulheres, construiremos esse país. Esse é nosso projeto e nosso apaixonado compromisso político. Para você, reservamos o cuidado, o carinho. Para eles temos o direito à revolta e à rebeldia. E aqui estamos, milhões de mulheres organizadas. Até que todas sejamos livres.

Com carinho,

Nós, mulheres organizadas do 8M Popular/Frente Brasil Popular de MG.