Nos três dias de luta e resistência todo o MST e sociedade civil mobilizaram-se em torno da solidariedade, um dos  principais pilares do Movimento

A reintegração de posse da área do acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG), foi executada na sexta-feira (14) após ação violenta e desumana da Polícia Militar do estado contra as famílias que resistiram ao despejo por quase 60 horas.

No início da tarde do mesmo dia, os acampados foram atacados e as casas e plantações foram destruídas poucas horas depois. A Escola Popular Eduardo Galeano, onde crianças, jovens e adultos eram alfabetizados, foi destruída por um trator no dia anterior.


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Desfecho

Após 56 horas de resistência, a truculência promovida pelo governador Romeu Zema, no Acampamento Quilombo Campo Grande teve um desfecho. Conforme informa o site do Movimento, a Escola Popular Eduardo Galeano foi demolida e tomaram o barracão onde atividades da produção eram realizadas. Quatorze famílias foram despejadas. Duas famílias estão no abrigo da prefeitura. As demais foram acolhidas pelo MST, no restante do Acampamento. O MST denuncia que a área de 26 hectares do processo judicial nº 6105218 78.2015.8.13.0024, que já estavam desocupados, foi ampliada para 52 ha no último despacho da Vara Agrária e a operação policial foi além da determinada pela liminar, destruindo a casa e lavouras de sete famílias.

Nos três dias de luta e resistência todo o Movimento Sem Terra mobilizou-se em torno da solidariedade, um dos principais pilares da organização. Também, a sociedade civil, por meio das redes sociais, os movimentos populares, políticos e partidos se posicionaram contra a injustiça cometida pelo governo Zema em plena pandemia, denunciada internacionalmente.

Leia AQUI a nota oficial do MST sobre o despejo

Acompanhe as diversas demonstrações de solidariedade ao MST

Minas Gerais
No município de Itatiaiuçu (MG), famílias Sem Terra do acampamento Maria da Conceição protestaram em frente às lojas de Romeu Zema contra as atrocidades cometidas no acampamento Quilombo Campo Grande. Em Viçosa uma intervenção também denunciou Zema, em frente a uma de suas lojas.

Rio Grande do Norte
A juventude Sem Terra do Rio Grande do Norte que está em luta durante a Jornada Nacional se solidarizou com as famílias do acampamento Quilombo Campo Grande, em MG. Resistiremos!

São Paulo
Em São Paulo o assentamento Laudenor de Souza, mobilizou-se em resistência do acampamento Quilombo Campo Grande. Já a juventude e as crianças Sem Terrinhas do Vale do Paraíba (SP) também se solidarizam com as famílias do Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG).

Paraná
Companheiras e companheiros Sem Terra do Paraná se manifestam em apoio às famílias do Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG), que resistem há dois dias contra um despejo na pandemia!

A solidariedade com as famílias ameaçadas de despejo no acampamento Quilombo Campo Grande (MG) também vem lá de Laranjal, interior do Paraná.

Ceará
No ceará a mobilização acontece de Norte a Sul do estado, adultos, jovens e crianças Sem Terrinha denunciam a covardia do despejo que está em curso no Quilombo Campo Grande, no município de Campo do Meio.

No Distrito Federal e Entorno, de Pernambuco e de todo o país estão mobilizadas, denunciando o desumano despejo que acontece hoje no Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG).

A solidariedade tomou conta das redes durantes os três dias de luta e resistência.

Dom Vicente Ferreira, da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), manifestou seu apoio às famílias e faz apelo às autoridades para respeitarem os direitos humanos fundamentais.

Deputada Estadual Leninha (PT-MG), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, faz um apelo para que o governador não fosse cúmplice deste despejo desumano e criminoso.

Deputado Federal Rogério Correia (PT-MG) aproveitou a sessão conjunta do Congresso (deputados e senadores) para fazer um apelo contra a ação de despejo das 453 famílias.

“É um pedido de socorro, são famílias, várias crianças, que produzem café, mel, hortifrutigranjeiros, dependem daquela terra”, disse o deputado.

Diretamente da Suécia, o escritor e jornalista Lennart Kjörling demonstrou preocupação com o despejo contra o acampamento Quilombo Campo Grande e se somou na denuncia deste crime desumano!

Rosa Cañadel, do Comitê de Amigos do MST de Barcelona, também mandou seu recado em solidariedade às famílias.

Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais divulgou nota contra a continuidade do despejo.

Já o advogado Jeff Frank, do Comitê de Amigos do MST nos Estados Unidos e da União Nacional dos Advogados, demonstrou apoio e solidariedade em uma mensagem de solidariedade às famílias do acampamento.

O ator e diretor Wagner Moura usou suas redes sociais para fazer um apelo para que as autoridades responsáveis barrassem a violência policial e o despejo na área.

Jenny Rodrigues, diretora de Movimentos Sociais da UNE, prestou sua solidariedade e denunciou o criminoso despejo.

José Carlos e Sandra, da organização La Junta, no Peru, enviaram uma mensagem de apoio e resistência para as famílias.

Mateo da banda Francisco El Hombre, se manifestou em apoio às 450 famílias e fez um apelo para as autoridades responsáveis com o objetivo de barrar a violência policial e o despejo da área.

O grupo Entre Latinos se solidarizou frisando que as famílias resistiram há mais de 48 horas contra um criminoso e desumano despejo no local onde vivem há 22 anos!

Josu Urrutia, diretor da Mundukide Fundazioa, do País Basco, também se pronunciou em nome de sua organização.

Crianças da Zâmbia pediram: “Zema, tire as mãos de quilombo!”

Ana Cláudia da Silva Alexandre Storch, da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, explicou que a área referente ao processo de despejo no Acampamento Quilombo Campo Grande, no Sul de Minas Gerais, já foi reintegrada e que não havia motivo para a permanência da polícia no local.

Uma comissão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais mobilizou-se para acompanhar o caso e tentar garantir a integridade das famílias desde a tarde desta quarta-feira.

MTE Rural fez chegar seu apoio ao MST, organização camponesa irmã, farol das lutas pela terra no continente.

presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann também  falou sobre o despejo ilegal e criminoso das 450 famílias do Quilombo Campo Grande em MG.

Ocupação da 9 de Julho do MSTC que participa junto ao MST da Campanha Lute como Quem Cuida na cidade de São Paulo na produção e entrega de marmitas solidarias demonstrou seu apoio e solidariedade.

Lourenzon (Sindipetro PE/PB), pediu para a sociedade se mobilizar contra o despejo criminoso, que deixará famílias de trabalhadores/as rurais desamparadas durante a pandemia.

Fonte: MST
Edição: todomundo.org