Falta de apoio às micro e pequenas empresas aumenta o desemprego

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (14), em apenas 12 semanas, o número de desempregados no Brasil cresceu 31%, o que corresponde a um aumento de cerca de 3,1 milhões de brasileiros sem trabalho no país no período.

No início do levantamento, em maio, cerca de 9,8 milhões de brasileiros estavam desempregados. No começo do segundo trimestre de julho, foram registrados 12,9 milhões de brasileiros desempregados, 550 mil a mais que na semana anterior, quando o contingente somava 12,3 milhões aproximadamente.

O IBGE também apontou que a taxa de desocupação ficou em 13,7% na penúltima semana de julho, com alta frente à primeira semana de maio (10,5%).

Em pesquisa no mesmo período do ano passado, ainda de acordo com o IBGE, o desemprego chegou a ter leve redução, passando de 12,5% da população economicamente ativa (PEA) entre fevereiro e abril para 11,8% em julho.

Número de desempregados no país aumentou em cerca de 3,1 milhões em 12 semanas, conforme levantamento do IBGE — Foto: Economia/G1

O levantamento realizado entre os dias 19 e 25 de julho é da Pnad Covid19, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Falta apoio do governo

De acordo com outra pesquisa, “O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios”, realizada pelo Sebrae no início de abril, 73% dos micro e pequenos empresários entrevistados disseram que a situação antes da pandemia estava em patamares ruins ou razoáveis. Após a chegada do coronavírus, os resultados negativos se intensificaram. Cerca de 62% dos empreendedores interromperam as atividades temporariamente ou em definitivo. Quase 88% deles viram seu faturamento cair em média 75%.

No final de maio, Câmara e Senado aprovaram linhas de crédito para socorrer pequenas e médias empresas.

Mas, Jair Bolsonaro não leva em consideração que as pequenas e micro empresas são as que mais geram emprego no Brasil com carteira assinada, somando 54% dos empregos formais do país. O comércio concentra a maior parte das empresas, somando 41%. Além disso, é o setor de serviços que mais emprega mulheres. Os dados divulgados mostram que de 7,3 bilhões de mulheres empregadas nas MPE com carteira assinada, 53% estão nas empresas de serviço.

Ainda de acordo com o Sebrae, os micro e pequenos negócios representam 99% do total de empresas no Brasil.

Demonstração do descaso de Bolsonaro com o setor, em outra pesquisa da Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Sebrae, até o mês de maio deste ano, dos empresários que solicitaram crédito, apenas 14% receberam e 86% ainda aguardam ou tiveram o pedido negado, estimulando ainda mais as demissões e o desemprego.

Auxílios emergenciais, linhas de crédito e empréstimos são verbas utilizadas pelos trabalhadores e trabalhadoras em supermercados, farmácias e fazem o dinheiro circular e a economia crescer. A política de exclusão de Bolsonaro não afeta somente aos super vulneráveis, mas também a quem trabalha de sol a sol para sustentar suas famílias e fazer com que a economia não seja paralisada de vez, apesar desse governo contra o povo e contra o desenvolvimento do Brasil.

Informalidade volta a crescer

Em contrapartida, apesar da alta no desemprego e da queda na ocupação, o número de trabalhadores informais voltou a crescer. Na penúltima semana de julho, eles somavam cerca de 27,2 milhões de pessoas, cerca de 600 mil a mais que na semana anterior, quando eram cerca de 26,6 milhões. Segundo o IBGE, é pela informalidade que o mercado de trabalho brasileiro tem se sustentado. Sem a criação de vagas de empregos formais, é por esta via que os brasileiros têm conseguido se manter ocupados.

 

todomundo.org
Com informações de Sebrae, Correio Braziliense e G1.
Arte: G1