Educadores e Educadoras de toda a América Latina divulgaram, nesta quinta-feira (13), uma Carta em repúdio ao despejo, por ordem do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no Acampamento Quilombo Grande, do MST, no município de Campo do Meio. São mais de 450 famílias acampadas no local, há 20 anos.

“Nós, educadoras e educadores de toda a América Latina, vimos a público denunciar e repudiar o despejo do acampamento Quilombo Campo Grande e reivindicar a suspensão imediata da reintegração de posse, que prevê a retirada de mais 450 famílias da vila de moradores e da estrutura da Escola Popular Eduardo Galeano”, diz o início da Carta.

Na noite de ontem, quarta-feira (12), Romeu Zema afirmou, em seu Twitter, que o despejo havia sido impedido pela Justiça, com o objetivo de desmobilizar as manifestações contra a ação criminosa. Mas logo depois voltou atrás e disse que o Governo de MG “não conseguiu” reverter o despejo do Quilombo Campo Grande, realizado em meio à pandemia. Na manhã desta quinta, mais policiais chegaram ao acampamento, montando cerco às famílias que resistem para proteger as casas e a produção ameaçada. Os trabalhadores Sem Terra denunciam a violência da polícia que, nesta tarde, colocou fogo no Acampamento.

Assista aos vídeos do incêndio provocado pela PM de Minas Gerais:

 

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Os Trabalhadores são tratados com beligerância:

   

Leia a Carta dos Educadores e Educadoras na íntegra:

I Carta dos Educadores e Educadoras à sociedade, 13 de agosto de 2020.

Fechar Escola do Campo é crime!

Despejar durante a pandemia é genocídio!

Nós, educadoras e educadores de toda a América Latina, vimos a público denunciar e repudiar o despejo do acampamento Quilombo Campo Grande e reivindicar a suspensão imediata da reintegração de posse, que prevê a retirada de mais 450 famílias da vila de moradores e da estrutura da Escola Popular Eduardo Galeano.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), tem usado a Polícia Militar para despejar e ameaçar crianças, idosos, mulheres e todos os/as moradores/as do acampamento, após ter anunciado suspensão como forma de desmobilizar as famílias. Hoje, dia 13 de agosto, pela manhã, a Escola popular Eduardo Galeano, que estava dentro do acampamento no Quilombo, foi demolida em ação truculenta de despejo. As escolas do campo já estavam sendo dizimadas, fechadas. As imagens referentes à demolição da escola mostram o real projeto do governo do estado para a educação dos trabalhadores do campo. As famílias seguem resistindo no local e tentam negociar a permanência na área. Até o momento, a área da escola foi reintegrada.

O acampamento Quilombo Campo Grande foi erguido há mais de 20 anos nas terras da antiga Usina Ariadnópolis, que pertencia à Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (Capia), falida no final da década de 1990. Parte dos antigos trabalhadores da usina, que ficaram sem indenização após a falência da empresa, hoje integram o acampamento.

Após a falência da usina, a área de aproximadamente 4 mil hectares ficou degradada por conta do monocultivo de cana-de-açúcar. Com a ocupação do MST, as famílias construíam uma escola, suas casas, plantações de café, milho e hortaliças, além da criação de galinhas. A agricultura local rende cerca de 15 mil sacas de café por ano e 55 mil sacas de milho. Os produtos s são comercializados no Sul do estado, bem como em outras regiões de Minas Gerais.

O Quilombo Campo Grande é uma experiência da força coletiva, da justiça social em um país de latifundiários. As famílias sem-terra conquistaram o direito à terra, educação e moradia. Nos ensinaram a boniteza de ser mais, de produzir alimentos saudáveis, cuidar da terra e cuidar das pessoas.

Somos educadores, somos Quilombo Campo Grande!

Veja no link todas as entidades e educadores que assinam a Carta: https://docs.google.com/document/d/1BeSvMl1Dku1m0z6bT2F1uEyIKx-9835gVMYn3VPbcQI/edit

Para denunciar: Secretário Geral do Estado Mateus Simões (31) 99131 9511
@MateusSimoes

#SalveQuilombo
#ZemaCovarde