Nesta quarta-feira (12) o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Mato Grosso do Sul (MS), realizou mais uma doação de alimentos em 6 aldeias indígenas do estado. Cerca de 340 famílias indígenas receberam cestas contendo uma grande diversidade de alimentos saudáveis, totalizando mais de 12 toneladas.

A ação solidária faz parte da campanha nacional do MST de partilhar alimentos com quem enfrenta a fome neste período de pandemia do coronavírus.

Reforma Agrária Popular 

Aliado às ações de solidariedade, cada cesta também carrega o projeto proposto pelo MST de acesso à terra e a necessidade da Reforma Agrária Agrária Popular, um Plano lançado nacionalmente no mês de junho desse ano.

Para o Movimento, a mobilização e organização do povo, que busca reunir forças para a construção de um novo projeto de país, aponta para um caminho único: a construção da Reforma Agrária Popular.

Kelli Mafort, da direção nacional do Movimento, explica que a efetivação do plano é fundamental para fazer com que vários trabalhadores e trabalhadoras, que estão hoje na faixa da extrema pobreza e com a situação dramática da fome, possam viver dignamente. “Atacar os problemas da crise e os problemas da fome é fundamental e, na visão do MST, uma das formas de garantir com que as pessoas tenham acesso a trabalho, renda, moradia e alimentação, é através da reforma agrária”, diz ela.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, criança, árvore, grama, atividades ao ar livre e natureza

As aldeias indígenas estão sendo atingidas pela ausência de políticas públicas do governo Bolsonaro e pelo vírusIndígenas em perigo

O Coronavírus avança para o interior das aldeias no Mato Grosso do Sul a cada dia. Sem seus territórios demarcados ou expulsos das áreas tradicionalmente ocupadas, os povos indígenas se veem obrigados a viver em retomadas ou acampamentos próximos às rodovias e cidades. Amontoados e sem políticas públicas, eles têm buscado estratégias coletivas de enfrentamento à pandemia. Levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgado na segunda-feira (10), contabilizava 652 indígenas mortos e ao menos 23.453 infectados pelo coronavírus.

Em maio deste ano, o Regional Mato Grosso do Sul, do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), publicou uma nota sobre a pandemia da covid-19 entre os Kaiowá e Guarani, alertando para o rápido crescimento de infectados entre indígenas no Estado – situação agravada pela crise humanitária na reserva indígena de Dourados.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé
 O MST já doou mais de 2,8 mil toneladas de alimentos durante a pandemia

Campanha de Solidariedade

O MST integra a campanha nacional de solidariedade ao povo brasileiro Vamos Precisar de Todo Mundo, que abriga e dá visibilidade às ações solidárias realizadas pelos movimentos sociais desde o início da pandemia. De abril a julho, a campanha já arrecadou e doou mais de três mil toneladas de alimentos, sendo que cerca de 2,8 mil toneladas são oriundas dos trabalhadores Sem Terra.

Uma demonstração de que, com a distribuição e bom uso da terra, além de fornecer o alimento fresco, saudável e abundante, é possível gerar renda, empregos e qualidade de vida para o povo.

Para doar para o MST e outros movimentos, cadastrar uma iniciativa ou pedir ajuda acesse todomundo.org.

Com informações de Brasil de Fato, Terra em Poesia e Apib