A ação, resultado de trabalho dos movimentos sociais e da união e solidariedade de classe, surpreende pelo número de pessoas atendidas diariamente

Uma parceria entre a Central de Movimentos Populares (CMP), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Sindicatos, a Fiocruz e a Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade, estão realizando uma ação de solidariedade que atende 2,5 mil pessoas por dia, em Uberlândia (MG). São cinco cozinhas comunitárias espalhadas em diferentes bairros e ocupações da cidade, onde são preparados marmitex com alimentos fresquinhos, oriundos, principalmente, da agricultura familiar e dos assentamentos do MST. O projeto também recebe doações de cestas básicas da sociedade civil e dos trabalhadores ligados aos sindicatos que atuam na iniciativa.

Voluntários preparam 2,5 mil marmitas por dia em Uberlândia. Ação distribui os alimentos de segunda a sexta

Ao perceberem a fome das pessoas mais fragilizadas pelos efeitos econômicos agravados pela pandemia, os movimentos sociais deram início às cozinhas comunitárias, que distribuem as marmitas de segunda a sexta-feira. São cerca de 60 pessoas trabalhando em sistema de rodízio para preparar os alimentos, embalar e distribuir nas comunidades mais empobrecidas da cidade mineira.

Solidariedade e união

O trabalho é fruto da união entre os movimentos sociais: O MTST, por exemplo, além de trabalhar no preparo das marmitas, também é o responsável pela logística da distribuição. Para Abrahão Nunes, um dos coordenadores da iniciativa e coordenador regional da CMP do Triângulo Mineiro, o que requer mais habilidade para a concretização das 2,5 mil marmitas diárias, é justamente o exercício do diálogo. “Para reunir as pessoas em torno de um projeto desse tamanho é preciso muito exercício da palavra, de forma que haja entendimento e união. Nós dos movimentos sociais, buscamos ser solidários uns com os outros, porque essa é a nossa realidade, nós pertencemos a essa parte da sociedade que sofre e precisa lutar e se organizar. A solidariedade não é algo separado de nós, por isso tem dado certo”, diz a liderança.

Cinco cozinhas, muitos corações

60 pessoas por dia trabalham em sistema de rodízio na preparação das marmitas

Abrahão explica que três das cozinhas comunitárias são desenvolvidas e voltadas para as ocupações urbanas. Uma delas, no bairro da Glória, atende a 2,3 mil famílias sem teto que já conseguiram legalizar as ocupações, muitas delas ligadas ao MTST. Outra cozinha fica no bairro Maná, onde as ocupações não estão regularizadas e a situação das pessoas é ainda mais precária. A terceira, é no bairro Dom Almir, um conjunto de pequenos bairros, todos pobres, em processo de regularização das ocupações. A maioria das famílias é ligada aos movimentos por moradia. A quarta cozinha é na sede do Sindicato dos Eletricitários. E a quinta, é na sede da CMP -, o Armazém Cultural Alternativo (ARCA), que produz de 300 a 800 marmitas diárias.

A Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade disponibilizou R$ 30 mil para compras de produtos da agricultura familiar, dos assentamentos e cooperativas do MST da região. Abrahão explica que a participação dos Franciscanos tem ajudado aos pequenos agricultores, que estão sem poder vender seus produtos. Com o fechamento das escolas públicas, os alimentos produzidos pelas famílias e assentados não tem sido adquiridos pela prefeitura, o que provoca transtornos financeiros também para quem planta. Além da aquisição dos alimentos frescos do MST, os Franciscanos também arrecadam e doam cestas básicas.

Solidariedade, trabalho e amor ao próximo temperam as 2,5 mil marmitas a serem doadas

Abrahão destaca que, apesar das dificuldades e do trabalho permanente, as cozinhas comunitárias tem sido uma experiência gratificante para os envolvidos nas arrecadações e preparo dos alimentos. “A nossa luta nos gratifica, pois a gente sente a realidade na prática, a fome se vai quando chega o alimento fresquinho”, diz.

A política na partilha do pão

Ele explica que, no contato com as pessoas, os voluntários que estão na linha de frente esclarecem sobre a situação política do país. “Colocamos que somos movimentos sociais e que estamos ali para preencher uma lacuna causada pela ausência do governo que, além de não querer pagar a renda básica, queria conceder apenas R$ 200 para o povo, por apenas 3 meses. Fazemos isso porque a desinformação dessa parte da população leva com que eles creditem o auxílio emergencial a uma benesse de Bolsonaro e nada é mais distante da verdade.”

Campanha nacional de Solidariedade 

Essas ações fazem parte da campanha nacional de solidariedade ao povo brasileiro Vamos Precisar de Todo Mundo, criada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, para reunir e dar visibilidade às iniciativas solidárias desenvolvidas pelos movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis, coletivos e partidos de esquerda.

São 315 pontos de coleta de produtos de limpeza e higiene, roupas e, principalmente, alimentos, distribuídos por várias cidades brasileiras. No site todomundo.org é possível encontrar um local de coleta mais próximo. Também, há opção para doação via transferência bancária.

Desde seu lançamento, em abril, a campanha Vamos Precisar de Todo Mundo, por meio dos movimentos sociais, já arrecadou e doou mais de 3 mil toneladas de alimentos.

Fora Bolsonaro

Outra campanha das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo é a “Fora Bolsonaro“. Diante do agravamento da crise sanitária e econômica no país, que já passa dos 103 mil mortos pelo Coronavírus sem ter um ministro da Saúde porque Bolsonaro não suporta ser contrariado, já que nega todos os protocolos internacionais de saúde e não aceita que um ministro tenha mais notoriedade que ele. O descaso pelas mortes de tantos brasileiros, o fascismo latente em suas declarações, revelando o preconceito contra mulheres, negros, pobres e indígenas, além da política de privatizações de seu ministro da Economia, Paulo Guedes que, recentemente, vendeu três plataformas da Petrobras pelo preço de mercado de três apartamentos, são alguns do motivos da campanha. Acesse para se juntar ao #ForaBolsonaro: https://www.campanhaforabolsonaro.com.br/

56º pedido de impeachment

Nesta quarta-feira (12), o Movimento Negro, que congrega mais de 600 entidades de todo o Brasil, está protocolando o 56º pedido de impeachment do Bolsonaro na Câmara dos Deputados. É a primeira vez que as entidades relacionadas ao movimento em defesa dos negros apresentam um documento para retirar um presidente.

O pedido acontece “em decorrência do menosprezo e negligência com o qual o Presidente da República, Jair Bolsonaro, atuou na pandemia do coronavírus, descumprindo o seu dever constitucional de garantia aos direitos constitucionais e universais à vida e à saúde, através de atos que consistem em crime de responsabilidade”.

por todomundo.org