No último domingo (26), foi concluída a formação da primeira turma de Agentes Populares de Saúde (APS) em Maceió. A iniciativa tem como objetivo capacitar 120 Agentes Populares para atuarem no combate ao Coronavírus em 10 territórios.

No encerramento da formação, a turma de 10 alunos/as, agora Agentes Populares e Saúde, representando seis comunidades diferentes, participou de místicas, de entrega de materiais para trabalho em campo, de dinâmica de reafirmação da importância do uso da máscara. Na ocasião, também foi realizado o debate “O que fazer para garantir o acesso a direitos básicos?” sobre a naturalização da violência e sobre o auxílio emergencial, além de reflexões a respeito do compromisso de ser um Agente Popular de Saúde.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentando

A proposta da formação dos APS parte da necessidade de levar para a população, principalmente das periferias, conhecimento sobre o novo coronavírus. São formas de prevenção, tratamento e cuidado, além de informações sobre os direitos das famílias.

Assista ao vídeo da comemoração dos formandos em Maceió
>>

 

Cartilha – No dia 16 de junho foi lançada, pela Fiocruz, a Cartilha de Apoio dos Agentes Populares de Saúde,  fruto do projeto Mãos Solidárias/Periferias Vivas, a cartilha é parte do material didático do Curso de Formação de Agentes Populares de Saúde: ajudando minha comunidade no enfrentamento da pandemia de Covid-19. O projeto é mais uma iniciativa dos movimentos sociais, sindicais e estudantis do campo e da cidade, junto com as universidades, que visa, entre outras ações – como distribuição de cestas básicas, confecção e distribuição de máscaras de tecido – formar agentes populares de saúde, para que atuem nas comunidades periféricas onde  os mesmos residem, em articulação e diálogo permanente com os agentes comunitários de saúde, com a unidade de Saúde da Família ou o Posto de Saúde que atuam nesse mesmo território.

A cartilha está disponível na versão on line  no site Mãos Solidárias. A publicação tem o selo Fiocruz Tá Junto, concedido pela Fundação Oswaldo Cruz a materiais produzidos por veículos de comunicação comunitária ou coletivos de periferia, já analisados e validados por especialistas da Fundação.

Uma grande rede de profissionais do campo da saúde – sanitaristas, enfermeiros, assistentes sociais, entre outros – juntou-se para produzir o conteúdo didático da cartilha. Paulette Cavalcante, pesquisadora do departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz e uma das coordenadoras do Projeto Mãos Solidárias/Periferia Viva, falou um pouco sobre os que os move nesta iniciativa. “Acho que é nosso papel trabalhar a educação em saúde para que todos possam se proteger da covid-19. A população da periferia, mais vulnerável, precisa de apoio para se prevenir. Desta forma, pessoas das suas comunidades podem ajudar explicando de forma mais clara possível, com exemplos concretos, como implementar as mudanças para que todos possam se proteger do vírus”.

Recife modelo – O objetivo é que esses novos agentes populares de saúde – em geral lideranças comunitárias – atuem voluntariamente no cuidado e mapeamento das necessidades básicas da sua rua, vizinhança, bairro. A proposta é formar cerca de 10 mil agentes populares apenas no Recife, onde o projeto teve início. No entanto, outras cidades do interior e da Região Metropolitana do Recife também já começaram a se mobilizar para integrar a ação. A formação das lideranças ficou sob a responsabilidade de um grupo de 100 voluntários, entre profissionais de saúde, professores sanitaristas da UFPE, da UPE e da Fiocruz. São eles que ministram as oficinas e coordenam os trabalhos de cada turma. O curso é composto de três módulos, num total de 20 horas/aula e é certificado pela UFPE.

Com informações do MST, Uneafro e Fiocruz