Alimentação saudável é um direito de todos e todas, mas em muitos casos, sequer há comida. O último sábado (25) foi um dia especial para o Movimento Sem Terra em todo o país, em celebração ao Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, além do Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. No Maranhão, as atividades se concentraram na segunda maior cidade do estado, Imperatriz. Conhecida como “Portal da Amazônia”, a cidade agrega diversos pontos de produção agrícola e de resistência de agricultoras e agricultores rurais familiares.

Diante da pandemia e suspensão ou baixa das feiras livres, uma alternativa adotada para escoar a produção de acampamentos e assentamentos da região foi a adesão à entrega dos produtos em casa. Durante a semana, os pedidos são organizados e as entregas são feitas aos sábados, durante todo o dia. Para que os apoiadores e defensores da Reforma Agrária que consomem os alimentos também pudessem celebrar o dia, foram adicionadas às cestas ervas aromáticas e medicinais como forma de acolhida e agradecimento.

Apoiadores da Reforma Agrária também participaram do dia do agricultor. Foto: MST

Junto a este gesto, também foi realizada ação solidária de doação de cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade social, em especial catadores de materiais recicláveis. As cestas foram entregues essencialmente a mulheres negras chefes de família. “Durante as nossas entregas da comercialização, sempre avaliamos nas redondezas aquelas famílias em situação de vulnerabilidade e estamos fazendo um levantamento para que o movimento possa acolher, além de cobrar políticas públicas essenciais à dignidade humana”, explica Divina Lopes, que compõe a direção do movimento.

No Maranhão, já foram doados mais de 3 mil kg de alimentos e roupas, entre ações de refeições e produtos. A ação faz parte da campanha nacional de solidariedade realizada pelas famílias Sem Terra, que se materializa por meio da doação de alimentos produzidos nas áreas de acampamentos e assentamentos do MST, frutos da luta pela Reforma Agrária Popular no país, chegando nas mesas de quem mais precisa.

A solidariedade é prática constante e indissociável do Movimento Sem Terra. Para além de ações assistencialistas pontuais, o movimento se articula em defesa da vida e dignidade humana em todos os seus eixos, desde a formação de base. Mas diante da pandemia e o drástico impacto que tem causado às famílias já desassistidas de políticas públicas, todos as direções estaduais do movimento têm se articulado em torno da alimentação, princípio básico da existência humana. Ao todo, já foram doadas mais de 1.200 toneladas de alimentos, entre marmitas solidárias e produtos oriundos dos acampamentos e assentamentos.