“A política brasileira Marielle Franco faria 41 anos no dia 27 de julho, se não tivesse sido assassinada. Ela se definiu como ‘feminista, negra e filha da favela’. Defendeu os direitos da população afrodescendente, das mulheres e da comunidade LGTBI. Hoje sua memória ainda está viva.” Assim o Ministério da Igualdade do governo da Espanha, chefiado pelo socialista Pedro Sánchez, lembrou a data de aniversário da vereadora do Psol do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (27). Ela foi morta a tiros em 14 de março de 2018. O crime não foi resolvido até hoje.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, compartilhou, em seu perfil do Twitter, postagem de Jean-Luc Romero-Michel, membro do Conselho Regional da Ilha de França (uma das 18 regiões administrativas do país), em que ele escreve: “Meus pensamentos vão para essa corajosa líder política e ativista assassinada em 2018 por suas ideias muito progressistas. Pensamos nela e em seus entes queridos. Nunca podemos esquecê-la!” Em setembro de 2019, a prefeita parisiense inaugurou o Jardim Marielle Franco, na Rua d’Alsace.

Em postagens emocionadas no Twitter, a viúva de Marielle, Mônica Benicio, conta que “a última vez que Marielle viveu seu dia favorito no ano foi 27 de julho de 2017”, quando completou 38 anos. “Jamais poderíamos imaginar q, no ano seguinte, ela não celebraria mais sua própria vida.”

“O cheiro do vazio, a ausência materializada nos escombros dos sonhos”, escreveu ainda Mônica, que postou em seu perfil a última mensagem de parabéns que postou a Marielle, em 2017, um desenho feito pela então vereadora em um espelho. “‘Marielle, não faz declaração de amor no vidro pq vai manchar. Isso foi o q eu disse qdo ela desenhou o primeiro coração. Depois, ela fez tds os outros pq ela é assim…”, conta a Mônica na série de tuítes.

“O calendário não importa mais. 866 não é apenas um número (de dias, desde 14 de março de 2018). São dias de dor e de ausência. São dias de segundos intermináveis perguntado por quê?”, diz. “Eu nunca me imaginei contar os dias além do número 365, véspera de um ano novo no calendário q me foi ensinado.” A viúva de Marielle acrescenta:  “Seguiremos exigindo justiça para Marielle e Anderson”, em referência ao motorista da vereadora, Anderson Gomes.

Quem matou? Por quê?

Lideranças políticas cobraram o esclarecimento do assassinato em suas redes sociais. Líder do Psol na Câmara dos Deputados, Fernada Melchionna (RS) lembra que, mais de dois anos depois, ainda não se sabe quem mandou matá-la e por qual motivo. “É preciso avançar na luta por Justiça para que a impunidade diante do seu assassinato não seja um salvo conduto para novos crimes políticos”, afirma.

A parlamentar acrescenta que a extrema-direita “usa a máquina de ódio para seguir atacando a imagem de Marielle enquanto a família do presidente está envolvida até o pescoço com as pessoas que já foram presas pelo crime”. A parlamentar continua, dizendo que “a luta por justiça não irá parar, assim como a  luta contra essa extrema-direita”.

Também correligionária de Marielle, Sâmia Bomfim (Psol-SP) escreveu nas redes sociais que  “Marielle é símbolo internacional de luta e resistência”. Mas, para o governo brasileiro, “a imagem da vereadora do Psol é incômoda. Por quê?”, questionou a deputada federal.

Sem respostas

Para Jandira Feghali (PCdoB-RJ), é dever de lideranças e movimentos sociais lembrarem “de sua trajetória, mensagem de vida e luta”. “ Marielle, presente!”, postou.

Marcelo Freixo  (Psol-RJ) também lembra nas redes que hoje ela faria aniversário “se não tivesse sido tirada de nós de forma tão bárbara”. Como Sâmia, Freixo também pergunta a razão para que a parlamentar tenha sido assassinada.

“Até quando não haverá resposta? Precisaremos de uma Comissão Nacional da Verdade no futuro, para decifrar esse crime? Sem responsabilizar os criminosos, sua morte se repete todos os dias, como ocorre com aquelas q ficaram impunes da ditadura”, escreveu Maria do Rosário (PT-RS). “O seu legado permanece em cada um de nós. Cobramos por justiça!”, publicou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Investigações

Em 10 de junho passado, a Divisão de Homicídios e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam o bombeiro Maxwell Simões Correa, acusado de envolvimento nos assassinatos. Ele foi denunciado por atrapalhar deliberadamente as investigações sobre as mortes. Ele teria sido um dos responsáveis por ocultar as armas usadas no crime.

Acusado de matar Marielle Franco (Psol) e Anderson, o PM reformado Ronnie Lessa foi indiciado, há duas semanas, pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), por tráfico internacional de armas. Lessa morava no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, e está preso desde março de 2019.

RBA