Em Cavalcante, Goiás, na Chapada dos Veadeiros, na calada da noite, mil e quatrocentos campos de futebol de Cerrado nativo foram derrubados ilegalmente com a técnica de correntão. Enquanto no Brasil e em outros países do mundo protesta-se contra o genocídio negro, os responsáveis pelas fazendas Pequi e Alagoas passam por cima da legislação ambiental e afrontam a soberania dos quilombolas sobre seus territórios.

Sítio histórico e patrimônio cultural Kalunga. Assim, ao exterminarem uma enorme área natural do cerrado, lar de dezenas de espécies ameaçadas como lobos guará, onças e araras, também atacam milhões de brasileiros e seu direito básico à água. Porque é o Cerrado a caixa d’água do Brasil, alimentando as mais importantes bacias hidrográficas do país. Embora, infelizmente, o bioma já tenha mais de 50% de sua cobertura natural desmatada. Tudo em prol do tenebroso projeto do agronegócio, onde monoculturas de soja servem principalmente ao mercado de exportação e ração de animais para agropecuária. Transformando assim o Brasil na fazendinha do mundo.

É mentira que o agronegócio gera desenvolvimento e é mentira que alimenta o mundo, pois quem põe comida na mesa é a agricultura familiar, responsáveis por mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil. Por outro lado a agropecuária sobretudo bovina é responsável por 80% dos gases de efeito estufa no país. O Brasil tem mais gado do que gente.

E então, o que temos haver com isso? Os ganhos vindos do agronegócio são mínimos perto de seu prejuízo socioambiental. Por exemplo, estima-se que para cada milhão de reais de receita da pecuária bovina, são gerados mais de 22 milhões de reais em impactos ambientais, principalmente com desmatamento, degradação do solo e emissão de gases de efeito estufa. Somos vítimas e financiamos este sistema.

Todas as vezes que comemos carne, leite, ovo, ou queijo vindos do agronegócio, contribuímos também para o desmatamento do Cerrado no Brasil. Exigimos dos órgãos competentes que os envolvidos sejam responsabilizados por este crime socioambiental e que as áreas sejam imediatamente restauradas, através de processos transparentes e abertos para a sociedade.

Exigimos também que as comunidades Kalunga sejam ouvidas e tenham suas demandas atendidas. Pois assim como inúmeras comunidades tradicionais pelo país, sofrem constantemente com a invasão de suas terras. Ao mesmo tempo que anseiam por infraestrutura básica, como pontes, saneamento básico, luz, acesso a internet gratuita, gestão de resíduos, escolas e hospitais. Repense seus hábitos, divulgue, contribua com esta conscientização. #salveocerrado #salveospovostradicionais #vidasnegrasimportam