Ação de solidariedade aconteceu nesta terça-feira em denúncia à ameaça de despejo em Atalaia (AL)

As mais de 150 famílias do acampamento Marielle Vive, em Atalaia, Zona da Mata de Alagoas, realizaram nesta terça-feira (30), uma ação de solidariedade na região. Em denúncia à ameaça de despejo de quem vive a área, os camponeses e camponesas devem doar uma série de alimentos produzidos no acampamento para as famílias do município.

As famílias do acampamento Marielle Vive ocuparam as ruas da cidade denunciando a ameaça de despejo do acampamento.

Durante a marcha pela cidade, as famílias acampadas distribuíram parte do que é produzido na área para a população da cidade. Ao todo foram distribuídas cerca de 4 toneladas de alimentos produzidos no acampamento.

O acampamento Marielle Vive tem sofrido uma série de ameaças por parte de supostos arrendatários da Fazenda Santa Tereza, pertencente ao empresário e ex-deputado federal João Lyra (PSD), que já teve falência decretada e contabiliza uma dívida de R$ 2,1 bilhões a credores, governo federal, estadual e a ex-funcionários.

A ordem de despejo que preocupa as famílias acampadas vem no período de pandemia, que fragiliza ainda mais a vida dos agricultores e agricultoras que vivem no acampamento e ameaça a destruição das roças produzidas pelo acampamento no último período.

A ação de solidariedade teve como objetivo dialogar com a sociedade sobre a ameaça que as famílias estão sofrendo com a ordem de despejo, mas também de apresentar concretamente os frutos da luta pela terra a partir da produção de alimentos.

Grande parte das 150 famílias acampadas são antigos trabalhadores e trabalhadoras da Usina do Grupo João Lyra, que já foi considerado um dos deputados federais mais ricos do país, no comando de cinco usinas de cana-de-açúcar em Alagoas e em Minas Gerais. Hoje, João Lyra conta com quase 300 ações judiciais que, em sua maioria, são frutos de ações trabalhistas.

Ameaças permanentes

No dia 28 de maio as famílias acampadas registraram Boletim de Ocorrência em denúncia às ameaças que estavam sofrendo por supostos arrendatários da Fazenda. De acordo com os acampados e acampadas, parte das lavouras do acampamento foi destruída e, na manhã do dia 27 de junho, pistoleiros dispararam tiros na área para amedrontar os Sem Terra.

Segundo os acampados e acampadas, as ameaças partem de capangas do ex-tesoureiro da Assembleia Legislativa de Alagoas e do ex-deputado estadual Nailton Felizardo, um dos envolvidos no desvio de recurso público descoberto pela “Operação Taturana”, em 2007.
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Publicado por MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em Terça-feira, 30 de junho de 2020