Guarnicê não está no dicionário, mas nos corações maranhenses. De origem indígena, o termo remete à preparação para o novo, aquilo que vem. Nas festividades tradicionais juninas, significa preparar para entrar em ação na festa que se renova com mais força a cada ano.

Nesse ano, a preparação não é para o desfile e danças do boi, mas para a manutenção de vidas. Com o avanço do coronavírus no país e a falta de políticas públicas que forneçam condições de isolamento social e vida digna, assentadas e assentados do MST do Maranhão se revestem de solidariedade e união. Nas mais diversas regionais, eles colheram e estão doando aquilo que produzem ao longo dos anos.

Fotos: MST/MA

A diversidade da produção de alimentos da reforma agrária popular já chegou a trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, por meio de cestas básicas. Em Imperatriz, segunda maior cidade do estado, foram feitas doações de cestas ao Movimento de Mulheres Olga Benário. “A nossa campanha nacional é inicialmente voltada às famílias chefiadas por mulheres diaristas e domésticas. Ao passo em que recebemos doações, conseguimos ampliar o apoio a um número maior de famílias. É ainda mais gratificante receber proventos da reforma agrária, que geralmente não compõem as cestas básicas”, agradece Tâmara Sousa, uma das integrantes do Movimento de Mulheres contemplado.

Na regional de Açailândia as doações foram entregues ao Centro de Defesa da Vida e dos Humanos Carmen Bascáran. “Recebemos com alegria e certamente os alimentos vão chegar a quem mais precisa. Entendemos que os alimentos doados são resultados de sonhos e esperanças cultivadas pelas famílias acampadas e assentadas, em forma de amor e solidariedade”, comemora Ivonete Silva, coordenadora da entidade.

A solidariedade norteia justamente o Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular, lançado no início do mês pelo MST. O plano leva em conta as consequências causadas pela pandemia do novo coronavírus e tem como objetivo promover, rapidamente, a criação de empregos, a produção de alimentos para o povo e a garantia de renda e condições para que famílias vivam de maneira digna.

“As ações de solidariedade fazem parte da jornada e do Programa Emergencial da Reforma Agrária, que tem como meta fortalecer o diálogo e apoio à sociedade. Compreendemos que solidariedade não é dar o que temos de sobras, mas doar aquilo que temos. Por isso doamos alimentos, amor, afeto e cultivamos a solidariedade e a justiça social”, explica Ramiro Téllez, do MST-MA.

Desde o início da pandemia, o MST e o Armazém do Campo do Maranhão já realizaram diversas outras ações de conscientização, campanhas de cuidados e doações. Em São Luís, o Café Solidário doava diariamente mais de 100 cafés da manhã às pessoas em situação de rua. A atividade foi suspensa em razão do avanço de contaminação na capital, mas o movimento mantém a parceria e doações a outras entidades.

Guarnicê! Com solidariedade e união da classe trabalhadora, o novo tempo vem.

Nas mais diversas regionais, eles colheram e estão doando aquilo que produzem ao longo dos anos. Fotos: MST/MA

Fonte: MST