Com 1.009.699 casos, país só está atrás dos Estados Unidos em número de infectados, mas Bolsonaro está ocupado com o caso Queiroz

O Brasil superou a marca de 1 milhão de casos confirmados de covid-19 nesta sexta-feira (19). O país tem hoje 1.009.699 infectados pela doença, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa. Foram 26.340 novos casos confirmados desde as 20h de ontem. Também foram registrados 48.427 óbitos no total. Apesar disso, durante uma live nesta quinta, Bolsonaro ocupou seu tempo para se defender da sua ligação com Fabrício Queiroz, preso na manhã de ontem.

Com uma média de quase 30 mil novos casos diários, o Brasil ruma para tornar-se o novo epicentro mundial da doença, atrás apenas dos Estados Unidos, que já ultrapassaram 2 milhões de infectados. Sem ministro da Saúde há dois meses, o país é o único do mundo nessa situação em plena pandemia.

Enquanto isso, o presidente brasileiro está ocupado com os crimes que envolvem seu núcleo familiar. Na live desta quinta-feira, quando o Brasil ultrapassou 48  mil óbitos pela Covid-19, Bolsonaro ocupou seu tempo para defender Fabrício Queiroz, preso na casa do advogado Frederick Wassef, que trabalha para o próprio presidente e para o seu filho Flávio.

Sobre a pandemia, nada.

Segundo ele, Queiroz não estava foragido e sua prisão foi algo exagerado:  “Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da Terra”. E nenhuma palavra foi dita sobre os números da pandemia no país que governa.

No entanto, Bolsonaro apareceu bastante abatido, evidenciando ainda mais que Fabrício Queiroz tem conexões profundas na vida política e financeira do presidente e de seus filhos.

Subnotificações

Para piorar, as mudanças na divulgação de dados impostas pelo Ministério da Saúde, atualmente sem ministro oficial, são interpretadas como uma tentativa do governo em maquiar os números.

A sonegação de dados levantou desconfianças de especialistas e da imprensa brasileira. Com os boicotes de Bolsonaro à divulgação dos números relativos ao coronavírus, veículos de imprensa uniram-se em um consórcio para coletar diretamente os dados juntos às secretarias estaduais de Saúde. Em um país que não faz testes para conhecer seus doentes, por exemplo, a desconfiança em relação à transparência do governo espalhou-se rapidamente.

Para a diretora do Escritório de Washington na América Latina, Gimena Garzoli, “há dúvidas sobre o real número de testes em andamento na maioria das áreas mais afetadas, o que também pode influenciar os números”, afirmou, em entrevista à ‘CBS News’, na quarta-feira (17).

Garzoli disse acreditar que os dados são muito maiores do que os relatados, citando a falta de transparência do presidente brasileiro Jair Bolsonaro na divulgação dos números. “O fato de a doença estar se espalhando como fogo não é uma surpresa”, afirmou a diretora, enfatizando as subnotificações.

Defesa do SUS

O avanço do coronavírus expõe a urgência de valorização do SUS. Apesar de ter perdido mais de R$ 20 bilhões de seu orçamento só no ano passado, o sistema de saúde brasileiro ainda consegue oferecer todo tipo de tratamento e está à disposição de toda a  população.

Nos Estados Unidos, que não oferece saúde pública à população, mesmo quem paga plano de saúde tem de arcar com o equivalente a R$ 5 mil reais para fazer o teste do coronavírus.

“Se não fosse o SUS e seus trabalhadores, a situação seria muito pior no Brasil. Muito pior que a da Itália e da Espanha, onde os médicos foram obrigados a escolher quem vai viver e quem vai morrer para colocar no respirador, porque a contaminação foi muito grande e não teve como fazer o atendimento da maioria das pessoas”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), Hélcio Marcelino, para a Rede Brasil Atual.

Marcelino lembrou que o SUS está sempre presente na realidade dos brasileiros. “Todo mundo necessita do SUS o tempo inteiro e as pessoas não sabem. A prevenção da dengue, a análise da qualidade da água que a gente toma. Mesmo quem tem plano de saúde precisa do SUS. Agora nesses momentos de crise, em que o sistema público é convocado a dar a resposta, aí que fica claro para todo mundo que ‘ainda bem que a gente tem o SUS’ e não estamos na situação de países como os Estados Unidos.”

da redação com Rede Brasil Atual e PT Nacional