Programa abordou importância de articulação entre Universidade e movimentos populares para vencer pandemia

O programa Aqui pra Nós entrevistou a médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Paulette Cavalcanti e o Pró-Reitor de Extensão e cultura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Oussama Naouar sobre as articulações entre a Universidade e a campanha Mãos Solidárias, que vem executando ações de solidariedade em diversas cidades do estado para atenuar os efeitos da pandemia de covid-19. Na ocasião, foi lançada a cartilha de formação dos Agentes Populares de Saúde. O programa Aqui pra Nós vai ao ar todas as terças-feiras, ás 19:30, no canal do Youtube do Brasil de Fato PE. Agora, confira os principais tópicos da conversa:

Agentes Populares de Saúde

Desde a chegada dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, foram propagadas três grandes forma de enfrentar a pandemia: a construção de hospitais de campanha; a criação de novos leitos de UTI e a orientação para o isolamento social. Paulette afirma que “essas premissas necessitam de coisas básicas que são negadas para a população da periferia, que é ter renda para pagar contas, se alimentar e ter acesso aos materiais de higiene pessoal para conseguir se manter em isolamento”. A pesquisadora explica que os agentes podem ser qualquer pessoa que tenha interesse em ajudar seus vizinhos a combater o vírus com medidas simples e a contribuição coletiva das famílias.

Universidade e combate à pandemia

Oussama Naouar, reafirma o papel da universidade na produção e difusão do conhecimento científico “A universidade é lugar de ciência, conhecimento e extensão. Nós vemos há  meses ataques à universidade pública e a ciência. Mesmo nessa configuração trágica, é possível ver a finalidade da universidade. Não se trata de achismo, mas de um olhar científico frente a essa pandemia”. Ele ressalta que o ensino das universidades públicas no Brasil hoje são um local de produção da ciência com excelência e reconhecimento mundial “Na UFPE temos uma herança freireana e que vemos a extensão como um lugar militante da universidade, lugar de respeito á diversidade e respeito do desenvolvimento humano, econômico e cultural da sociedade” aponta o Pró-Reitor.

“Esses projetos mostram o que há de mais nobre nos movimentos sociais e na Universidade. A proposta, que surge com a pandemia, junta docentes de diferente departamentos e de diversas áreas, como saúde, comunicação, educação, direito e outros que articulam o projeto a partir desses diferentes sujeitos para atuar junto a sociedade civil. A UFPE surge como parceira do projeto a partir de uma demanda dos próprios movimentos para prover solidariedade” afirma Oussama, que também disse que há uma movimentação entre as universidades públicas para manter essa articulação entre instituições e outras organizações envolvidas no combate á pandemia com ações locais e regionais

Cartilha 

A proposta da cartilha é nivelar a compreensão dos Agentes Populares de Saúde para que eles possam ser educadores no local onde moram com ações simples, como orientar a lavagem correta das mãos, o uso de máscaras, o uso correto de produtos de limpeza e outras formas de combate ao vírus. A cartilha já está disponível no site do Mãos Solidárias.

“A proposta é que ela seja utilizada de forma massiva, para formar milhares de agentes que possam contribuir regionalmente com diversas ações. Essa cartilha é apenas uma das várias formas e metodologias que podem ser adotadas no combate a pandemia”, afirma Paulette, que projeta que o trabalho dos agentes se estende para o futuro, com as incertezas relacionadas ao tempo em que a pandemia se estenderá e também após o seu fim, já que como ela afirma,  “a luta pelo SUS é permanente”.


Agentes atuarão nas comunidades, auxiliando vizinhos / Jefferson Peixoto/Secom

Defesa do SUS

Criado como fruto da luta de profissionais de saúde integrantes da luta sanitarista no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) surge no fim da década de 1980 no Brasil, mas até hoje enfrenta dificuldades no seu financiamento. Paulette ressalta que “no Brasil há cerca de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde distribuídos em mais de 35 mil equipes de atenção básica no Brasil, mas ainda assim 40% da população não tem acesso a essas ferramentas. Não é só o SUS que tem suas dificuldades, a educação também, com o congelamento do financiamento de várias políticas públicas. A gente precisa de um movimento em defesa do SUS, em defesa das universidades públicas, que vêm sendo ameaçadas. A organização da população nesse sentido é extremamente importante” reforçar.

Pandemia e retorno às aulas

O Prof. Oussama explica que a UFPE se mantém em funcionamento com diversas ações de combate ao coronavírus “uma delas é o Coronavírus em Xeque, da Rádio Paulo Freira, com produção diária de orientações e notícias sobre a pandemia no Brasil e em Pernambuco; tem o desenvolvimento de aplicativos de vendas de economia local e solidária; a produção de álcool, onde já foram produzidos mais de 40 mil litros; a atuação em torno de direitos humanos e atendimento relacionados a assessoria jurídica; a produção de EPI’s como os jalecos populares” para ele, isso mostra o papel central da extensão na universidade nesse momento de pandemia.

Em relação a possibilidade retorno das aulas, ele explica que o que vem sendo conduzido por outras pró reitorias é o diálogo entre discente e docentes para conseguir mapear a realidade socioeconômica da comunidade acadêmica “não há posição favorável para a volta do semestre. A diversidade dessas condições e a com a vulnerabilidade de muitos discentes torna impossível ser um retorno isonômico, e pode prejudicar grande parte do corpo discente. Estamos vendo a possibilidade de destinar recursos para essa parcela de estudantes, mas agora estamos focados numa fase de diálogo com a comunidade acadêmica para não prejudicar quem se encontra em condições adversas” explica.

Como ser Agente Popular de Saúde?

O grupo de agentes se reúne semanalmente pela internet para compartilhar informações e formar grupos, possibilitando que os agentes atuem em conjunto, o que amplia a capacidade de atuação dos agentes, que precisam conhecer bem o território e executar atividades educativas com os moradores de forma mais efetiva “a gente conseguiu dialogar com todo mundo, mesmo as pessoas mais resistentes, que não acreditam na gravidade da pandemia. outro elemento importante é valorizar a articulação com agentes locais da comunidade, como os profissionais nos postos de saúde, de escolas” explica Paulette.  Qualquer pessoa pode se tornar agente, entrando em contato através do site ou das redes sociais do Mãos Solidárias.

Desde a chegada dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, foram propagadas três grandes forma de enfrentar a pandemia: a construção de hospitais de campanha; a criação de novos leitos de UTI e a orientação para o isolamento social. Paulette afirma que “essas premissas necessitam de coisas básicas que são negadas para a população da periferia, que é ter renda para pagar contas, se alimentar e ter acesso aos materiais de higiene pessoal para conseguir se manter em isolamento”. A pesquisadora explica que os agentes podem ser qualquer pessoa que tenha interesse em ajudar seus vizinhos a combater o vírus com medidas simples e a contribuição coletiva das famílias.

Universidade e combate à pandemia

Oussama Naouar, reafirma o papel da universidade na produção e difusão do conhecimento científico “A universidade é lugar de ciência, conhecimento e extensão. Nós vemos há  meses ataques à universidade pública e a ciência. Mesmo nessa configuração trágica, é possível ver a finalidade da universidade. Não se trata de achismo, mas de um olhar científico frente a essa pandemia”. Ele ressalta que o ensino das universidades públicas no Brasil hoje são um local de produção da ciência com excelência e reconhecimento mundial “Na UFPE temos uma herança freireana e que vemos a extensão como um lugar militante da universidade, lugar de respeito á diversidade e respeito do desenvolvimento humano, econômico e cultural da sociedade” aponta o Pró-Reitor.

“Esses projetos mostram o que há de mais nobre nos movimentos sociais e na Universidade. A proposta, que surge com a pandemia, junta docentes de diferente departamentos e de diversas áreas, como saúde, comunicação, educação, direito e outros que articulam o projeto a partir desses diferentes sujeitos para atuar junto a sociedade civil. A UFPE surge como parceira do projeto a partir de uma demanda dos próprios movimentos para prover solidariedade” afirma Oussama, que também disse que há uma movimentação entre as universidades públicas para manter essa articulação entre instituições e outras organizações envolvidas no combate á pandemia com ações locais e regionais

Cartilha 

A proposta da cartilha é nivelar a compreensão dos Agentes Populares de Saúde para que eles possam ser educadores no local onde moram com ações simples, como orientar a lavagem correta das mãos, o uso de máscaras, o uso correto de produtos de limpeza e outras formas de combate ao vírus. A cartilha já está disponível no site do Mãos Solidárias.

“A proposta é que ela seja utilizada de forma massiva, para formar milhares de agentes que possam contribuir regionalmente com diversas ações. Essa cartilha é apenas uma das várias formas e metodologias que podem ser adotadas no combate a pandemia”, afirma Paulette, que projeta que o trabalho dos agentes se estende para o futuro, com as incertezas relacionadas ao tempo em que a pandemia se estenderá e também após o seu fim, já que como ela afirma,  “a luta pelo SUS é permanente”.


Agentes atuarão nas comunidades, auxiliando vizinhos / Jefferson Peixoto/Secom

Defesa do SUS

Criado como fruto da luta de profissionais de saúde integrantes da luta sanitarista no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) surge no fim da década de 1980 no Brasil, mas até hoje enfrenta dificuldades no seu financiamento. Paulette ressalta que “no Brasil há cerca de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde distribuídos em mais de 35 mil equipes de atenção básica no Brasil, mas ainda assim 40% da população não tem acesso a essas ferramentas. Não é só o SUS que tem suas dificuldades, a educação também, com o congelamento do financiamento de várias políticas públicas. A gente precisa de um movimento em defesa do SUS, em defesa das universidades públicas, que vêm sendo ameaçadas. A organização da população nesse sentido é extremamente importante” reforçar.

Pandemia e retorno às aulas

O Prof. Oussama explica que a UFPE se mantém em funcionamento com diversas ações de combate ao coronavírus “uma delas é o Coronavírus em Xeque, da Rádio Paulo Freira, com produção diária de orientações e notícias sobre a pandemia no Brasil e em Pernambuco; tem o desenvolvimento de aplicativos de vendas de economia local e solidária; a produção de álcool, onde já foram produzidos mais de 40 mil litros; a atuação em torno de direitos humanos e atendimento relacionados a assessoria jurídica; a produção de EPI’s como os jalecos populares” para ele, isso mostra o papel central da extensão na universidade nesse momento de pandemia.

Em relação a possibilidade retorno das aulas, ele explica que o que vem sendo conduzido por outras pró reitorias é o diálogo entre discente e docentes para conseguir mapear a realidade socioeconômica da comunidade acadêmica “não há posição favorável para a volta do semestre. A diversidade dessas condições e a com a vulnerabilidade de muitos discentes torna impossível ser um retorno isonômico, e pode prejudicar grande parte do corpo discente. Estamos vendo a possibilidade de destinar recursos para essa parcela de estudantes, mas agora estamos focados numa fase de diálogo com a comunidade acadêmica para não prejudicar quem se encontra em condições adversas” explica.

Como ser Agente Popular de Saúde?

O grupo de agentes se reúne semanalmente pela internet para compartilhar informações e formar grupos, possibilitando que os agentes atuem em conjunto, o que amplia a capacidade de atuação dos agentes, que precisam conhecer bem o território e executar atividades educativas com os moradores de forma mais efetiva “a gente conseguiu dialogar com todo mundo, mesmo as pessoas mais resistentes, que não acreditam na gravidade da pandemia. outro elemento importante é valorizar a articulação com agentes locais da comunidade, como os profissionais nos postos de saúde, de escolas” explica Paulette.  Qualquer pessoa pode se tornar agente, entrando em contato através do site ou das redes sociais do Mãos Solidárias.

Assista ao programa Aqui pra nós do BDF Pernambuco na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=bYDLRR84YtI&feature=emb_err_woyt