Mais um ato de solidariedade dos trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra de Alagoas acontece nos bairros periféricos de Maceió. Durante a manhã desta sexta-feira (12) camponeses e camponesas distribuem cerca de 20 toneladas de alimentos em, pelo menos, oito bairros da cidade.

De acordo com Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, a ação faz parte de uma série de ações do Movimento para dialogar com a sociedade sobre a importância da Reforma Agrária na produção de alimentos. “Essa é mais uma demonstração do papel da luta pela Reforma Agrária em Alagoas e no Brasil, que é produzir alimentos saudáveis para chegar até a mesa de quem vive na cidade”, explicou.

Segundo Débora, as doações que o MST vem realizando desde o início da pandemia provocada pelo Covid-19 têm buscado enfrentar a fome que se aprofunda nesse período, em especial nos bairros da periferia. “Aqui estamos partilhando o que temos de melhor no campo alagoano: comida sem veneno, fruto da luta e da organização de milhares de famílias que tiram da terra seu sustento e compartilham de maneira solidária com aqueles e aquelas que enfrentam diversos desafios nos centros urbanos”, comentou.

Somente em Alagoas o MST já doou cerca de 40 toneladas desde o início da pandemia, além das periferias de Maceió. Os Sem Terra também levaram a produção de alimentos ao município de Santana do Ipanema, no Alto Sertão de Alagoas, cidade que sofreu com a enchente de um rio, que deixou centenas de famílias desabrigadas.

Ainda de acordo com Débora, a pandemia agravou os problemas estruturais que estão enraizados na sociedade e, que em sua maioria, tem profunda relação com o campo. “Seja a fome, o desemprego, a falta de moradia, o inchaço das grandes cidades têm uma relação com o que aconteceu ou deixou de acontecer no campo”, constata.

Para a coordenadora, a expulsão do trabalhador e trabalhadora rural do campo para os centros urbanos só transfere o problema da falta de condições desse vida desses trabalhadores para as favelas. “Quando o trabalhador ou trabalhadora é expulso do campo e vem para as cidades, na tentativa de viver bem, são nas favelas que eles precisam se abrigar, além de estarem sujeitos aos empregos mais precarizados, sem direitos sociais… Essa crise foi ainda mais agravada na pandemia, escancarando as condições de pobreza e precariedade que vive a maioria do povo brasileiro”.

Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular

Ainda na agenda da sexta-feira (12), o MST realiza um debate online sobre a questão agrária alagoana, com a presença dos professores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Lucas Gama (Campus Sertão) e Cícero Albuquerque (Campus Arapiraca). Na ocasião o movimento lança o Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular no estado, uma elaboração do MST que reúne uma série de propostas com o objetivo de criar empregos, produzir alimentos, movimentar o comércio e garantir renda e condições de vida dignas ao povo brasileiro em meio à pandemia.

Lançado nacionalmente na última sexta-feira (05), o documento é dividido em quatro pilares: Terra e Trabalho, Produção de Alimentos Saudáveis, Condições de Vida Digna no Campo e Proteger a Natureza, Água e Biodiversidade, que apontam medidas emergenciais para as necessidades humanas, tanto de acesso ao trabalho, à alimentação, à moradia, mas sobretudo à vida.

O debate será transmitido a partir das 16 horas nas redes sociais do MST Alagoas.