Direitos sociais e trabalhistas permitem mitigar efeitos econômicos em períodos de crise. Em vez de combater, governo Bolsonaro estimula o trabalho informal

Estimativas do Banco Mundial divulgadas na segunda-feira (8) indicam que a economia global deve registrar retração de 5,2% em 2020. Será a maior redução registrada desde a Segunda Guerra Mundial, em função da pandemia de coronavírus. Para o Brasil, a previsão é de queda de 8%.

Países em desenvolvimento, que registram maiores taxas de trabalho informal, também deverão ter uma recuperação mais lenta, no pós-pandemia. O mesmo relatório aponta que o Brasil deve crescer 2,2% em 2021. Ou seja, pouco mais da metade do crescimento mundial esperado, de 4,2%.

Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, a informalidade é um “problema crônico” por aqui. Mas o que chama a atenção é que o governo Bolsonaro estimula o trabalho informal, ao promover a destruição de direitos trabalhistas e sociais.

Trata-se de uma série de direitos, como previdência social, FGTS, seguro-desemprego, antecipação de férias, que servem para “mitigar” os impactos de uma crise como essa, por exemplo. “Quando você cai no mundo da informalidade, isso não existe.”

“Estamos falando basicamente dessa expansão necessária dos direitos trabalhistas e sociais. A gente precisa ampliar esse conjunto de direitos, porque essa ampliação dá mais segurança para a economia como um todo. Com mais segurança, inevitavelmente, a possibilidade para sair da crise é facilitada. Porque tem ferramentas de mitigação”, diz Fausto em comentário na Rádio Brasil Atual, nesta terça (9).

Auxílio

Diante disso, ele defende que pelo menos o auxílio emergencial seja expandido até o fim do ano, para reduzir os impactos da pandemia. “É o mínimo que a gente pode imaginar diante desses números da economia. E quem sabe caminhar para uma renda básica de cidadania.”

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RBA