No Brasil, de acordo com o Atlas da Violência, a cada 100 pessoas mortas pela polícia, 75 são negras. “A brutalidade e o autoritarismo caminham junto com o racismo”, diz Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil. Ela acusa as instituições de leniência com a discriminação racial. “A polícia atira, mata e não há nenhuma reparação às famílias”, critica.

A morte de George Floyd incendiou as ruas dos Estados Unidos em plena pandemia. A imagem de um homem negro asfixiado por um policial branco motivou uma onda de protestos contra o racismo. O levante começou em Minneapolis e se espalhou pelas principais cidades americanas.

No Rio, um ato lembrou o estudante João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. O adolescente foi morto há duas semanas durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Estava na casa dos tios quando levou um tiro de fuzil nas costas.

Para combater essa imensa injustiça social e racial no Brasil, o movimento negro criou um manifesto contra o racismo e está colhendo assinaturas. Assine você também. Nas pautas de direitos humanos, justiça social e econômica, igualdade racial e solidariedade ao próximo, temos que dar as mãos e caminhar firmes em direção a um país melhor para todos e, para isso, Vamos Precisar de Todo Mundo!

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Nós população negra organizada, mulheres negras, pessoas faveladas, periféricas, LGBTQIA+, quilombolas, religiões de matriz africana e pretos e pretas com distintas confissões de fé, povos do campo, das águas e da floresta, trabalhadores explorados, informais e desempregados, em Coalizão Negra por Direitos, vimos a público exigir a erradicação do Racismo como prática genocida contra a população negra. 

O Brasil é um país em dívida com a população negra brasileira – dívidas históricas e atuais. Portanto qualquer projeto ou articulação por democracia no país exige o firme e real compromisso de enfrentamento ao racismo. Convocamos os setores democráticos da sociedade brasileira, as instituições e pessoas que hoje demonstram comoção com as mazelas do racismo e se afirmam antirracistas, sejam coerentes! Pratiquem o que discursam! Unam-se à nós neste manifesto, às nossas iniciativas históricas e permanentes de resistências e às propostas que defendemos como forma de construir democracia, organizada em nosso no programa: https://coalizaonegrapordireitos.org.br/2020/01/27/coalizao-negra-por-direitos-divulga-carta-programa-e-mensagem-em-video-ao-povo-brasileiro/

Essa convocação é ainda mais urgente em meio à pandemia do Covid-19, quando sabemos que a população negra é o segmento que mais adoece e morre, amplia as filas de desempregados, e sente na pele o desmantelamento das políticas públicas sociais. Ou seja, em meio à pandemia de Covid-19 o debate racial não pode mais ser ignorado.

Neste momento em que diferentes setores se unem em defesa da democracia, contra o fascismo, o autoritarismo e pelo fim do governo Bolsonaro, é de suma importância considerar o racismo como assunto central.

“Estamos vindo a público para denunciar as péssimas condições de vida da comunidade negra.” Este trecho, retirado do manifesto de fundação do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial, de julho de 1978, é prova de que jamais fomos ouvidos e de que sempre estivemos por nossa própria conta. Esta é uma luta que não começa aqui, mas que se materializou no pensamento e ação de homens e mulheres que em todos os momentos históricos em que a brutalidade foi imposta ao povo negro, levantaram suas vozes e disseram: NÃO!

Não há democracia, cidadania e justiça social sem compromisso público de reconhecimento do movimento negro como sujeito político que congrega a defesa da cidadania negra no país. Não há democracia sem enfrentar o racismo, a violência policial e o sistema judiciário que encarcera desproporcionalmente a população negra. Não há cidadania sem garantir a redistribuição de renda, trabalho, saúde, terra, moradia, educação, cultura, mobilidade, lazer e participação da população negra em espaços decisórios de poder. Não há democracia sem garantias constitucionais de titulação dos territórios quilombolas e o respeito ao modo de vida das comunidades tradicionais, sem contaminação e degradação dos recursos naturais necessários para a reprodução física e cultural. Não há democracia sem o respeito e liberdade religiosa. Não há justiça social sem que as necessidades e os interesses de 55,7% da população brasileira sejam plenamente atendidas.

O racismo deve ser rechaçado em todo mundo. O brutal assassinato de George Floyd, demonstra isso, com as revoltas, manifestações e insurreições nas ruas e a exigência de justiça racial. No Brasil, nos solidarizamos com essa luta e com estes protestos e reivindicamos justiça para todos os nossos jovens e população negra. E, entre muitos que não podemos esquecer, João Pedro presente!

Em nosso passado formamos quilombos, forjamos revoltas, lutamos por liberdade, construímos a cultura e a história deste país. Hoje lutamos por uma verdadeira democracia, exercício de poder da maioria, e conclamamos aqueles e aquelas que se indignam com as injustiças de nosso país.

Porque a prática é o critério da verdade!

Assinam:
COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS (Articulação de 150 entidades, coletivos e movimentos negros do Brasil – Aqui as entidades: https://bit.ly/3hdSE8O)

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