Por Olga Curado*

A covardia sempre terá razões para justificar a si mesma. A covardia busca explicações fundamentadas em raciocínios e situações, que ela própria descreve como riscos incomensuráveis. E chama isso de prudência. “ – Ninguém saia de casa e proteste! “ Como se o sair protegido, rápido e focado, fosse a porta aberta ao incremento da pandemia do novo Coronavírus.

Afinal qual a diferença entre covardia e coragem?
A covardia é movida pelo medo.
A coragem é o movimento do coração. E coração não é a emoção desmedia e descontrolada da adolescência tardia ou da adolescência de agora.

A covardia é o movimento feito a partir da perspectiva paranoica das perdas antecipadas e da carência individual pelos pequenos lucros. É uma escolha pelo medo.

A coragem não desconhece o risco, e segue, apesar disso, com prudência, esta sim, trazendo as ferramentas da  autopreservação, da lucidez histórica, do entendimento do que vale a pena. Quantas vidas serão perdidas quando o povo ocupar as ruas em protesto contra o fascismo e em defesa da democracia?

Quantas vidas serão perdidas se as pessoas não ocuparem as ruas em protesto contra o fascismo e pela democracia?
É uma conta retórica. Mas a passividade é o argumento da covardia que antevê na ocupação as ruas o colapso das terapias intensiva.

Vidas , muitas vidas vão ser perder nos calabouços e nos cala boca do silêncio. E serão escondidas.
Vidas, muitas vidas serão preservadas se, com atenção, cuidado, respeito à ciência, cada de nós ocupar o espaço que está sendo lenta e determinadamente sendo sequestrado elo fascismo.

Coragem é ter propósito claro – incluindo os excluídos – sem o proselitismo do amor incondicional, mas com a ação da compaixão necessária e inadiável ; covardia é aninhar-se na comodidade pessoal.

Ninguém precisa de heróis. Estes não sobrevivem por muito tempo. Ninguém precisa de auto imolação. Não há clamor por autodestruição. Mas, cada um que tenha voz, que brade; cada um que tenha um gesto que o expresse. Ninguém precisa do silencio conivente que torce para que tudo “isso passe”. Não passará. Como não passaram todos aqueles que a
História entregou para a posteridade como genocidas, assassinos, mas cujos exemplos são euforicamente seguidos pelos imbecis do mal, porta vozes do caos.

Que não venham mais argumentos dos covardes que desejam o comportamento passivo – não pacífico – dos acomodados, com argumentos geopolíticos. Como se houvesse uma métrica defensável quando se glorifica a vida sem dignidade.

A vida se justifica na sua dignidade. Silenciar sob qualquer pretexto é dar espaço ao domínio daqueles que se servem do medo, para todos calar. E dar argumento à covardia.

De quem é a rua?

Olga Curado é jornalista