A ação de solidariedade teve como objetivo auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica devido à pandemia de covid-19 na região amazônica.

No último final de semana, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no estado do Pará distribuiu cestas básicas para mil famílias nas regiões do Xingu, Tapajós e Araguaia-Tocantins. A ação de solidariedade teve como objetivo auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica devido à pandemia de covid-19 na região amazônica.

A aquisição das cestas foi possibilitada por uma parceria entre a Associação em Defesa da Vida e do Meio Ambiente (Adevima) e a Fundação Banco do Brasil. A montagem e distribuição das cestas contou com o trabalho voluntário dos participantes dos grupos de atingidos do MAB nas regiões.

Voluntária distribui cestas na região do Tapajós

Os alimentos foram comprados principalmente da agricultura familiar local, uma maneira de contribuir com esses agricultores que estão encontrando dificuldades de escoar sua produção. “Acho importante comprarem esses produtos de nós da agricultura familiar porque nesse período, por causa da pandemia, não estamos vendendo nada na cidade. Dessa forma, ajudamos uns aos outros”, afirma Aparecido Veloso, agricultor da região do Assurini, em Altamira (PA).

Aparecido forneceu macaxeira para as cestas básicas que foram organizadas na região do Xingu nessa primeira fase do projeto. Além de macaxeira, as cestas também contaram com outros produtos da agricultura familiar, como abóbora, alface, couve, cheiro-verde, banana, farinha e ovos. “São alimentos saudáveis e que compõem a alimentação tradicional nas regiões”, explica Frede Rênero, da coordenação do MAB no Tapajós.

Distribuição de cestas na região do Araguaia-Tocantins

Uma das famílias beneficiadas foi a de Elvira Gonçalves, de Altamira (PA). “É um alívio muito grande a gente poder ter o alimento dentro de casa nessa crise que está hoje, porque ninguém está conseguindo trabalho”, afirma Elzira, que vive com dois netos em um terreno ocupado às margens da rodovia Transamazônica.

“Ao entregarmos as cestas é possível ver a gratidão no rosto das pessoas e isso é muito gratificante, são famílias das comunidades periféricas dos municípios, algumas chegaram a relatar que naquele dia não tinham nada para comer e se encheram de alegria pela ajuda recebida. Ações assim fortalecem nossa caminhada e nos ensinam a ver com outros olhos a realidade de muitas famílias”, afirma Gilda de Freitas, presidente da Adevima.

Montagem das cestas na região do Xingu

Na região do Araguaia-Tocantins, foram entregues 500 cestas em oito comunidades do município de Marabá e em mais três municípios da região: São João do Araguaia, Nova Ipixuna e Itupiranga, totalizando 500 cestas agroecológicas.

Já no Xingu, foram distribuídas 400 cestas na cidade de Altamira, em 10 bairros periféricos, incluindo os reassentamentos urbanos dos atingidos por Belo Monte, ocupações urbanas e áreas alagadiças como a baixada do Independente 1.

Na região do Tapajós, foram distribuídas 100 cestas em comunidades dos municípios de Itaituba, Trairão e Rurópolis, incluindo as aldeias do Mangue e Praia do Índio, do povo Munduruku, em Itaituba.

Além dos alimentos da agricultura familiar, também integram as cestas alimentos básicos como arroz e feijão e itens de higiene como sabão, detergente e água sanitária, sempre comprados de pequenos comerciantes locais.

Dentro de 15 dias, cada família receberá mais uma cesta, totalizando 2.000 cestas distribuídas às famílias atingidas e ameaçadas por barragens com o apoio da Fundação Banco do Brasil.

“A distribuição de cestas básicas para famílias em vulnerabilidade tem sido uma das principais ações emergenciais do Movimento no estado do Pará e também em outras regiões do Brasil, em parceria com movimentos populares e organizações parceiras”, afirma Frede. No estado do Pará, as ações de solidariedade feitas pelo Movimento já beneficiaram mais de 1500 famílias desde o inicio da pandemia.