Neste domingo (7), diversas manifestações pelo #ForaBolsonaro, em defesa da democracia e contra o racismo tomaram as ruas do Brasil. Convocados por movimentos de periferia, ativistas negros, integrantes de torcidas organizadas, estudantes secundaristas, grupos antifascistas e a frente Povo Sem Medo, os atos tiveram duas bandeiras principais: o antifascismo e o antirracismo, com o mote “Vidas Negras Importam”, em reação ao assassinato de pessoas negras pela polícia nas periferias. Os atos aconteceram em diversas cidades, sendo os maiores em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

Em contraposição às manifestações bolsonaristas, formadas em sua maioria por homens e mulheres de mais idade, brancos e das classes média e alta, que desde março fazem protestos em defesa do governo, os atos contra Bolsonaro tem revelado que o perfil dos brasileiros que não querem mais um governo autoritário no comando do país é jovem, em sua maioria, e formado pelas camadas mais populares. As bandeiras que defendem são contra o fascismo, abertamente declarado por Bolsonaro, que incita a morte da juventude negra e pobre do país. Além disso, os desrespeitos vociferados contra a democracia e a exaltação à tortura e à ditadura, estão presentes nas bandeiras levantadas pelos manifestantes.

Em São Paulo, a concentração aconteceu no Largo do Batata, após a Justiça ter proibido a mobilização na Avenida Paulista. Na capital paulista, as torcidas organizadas tem sido as principais alavancas dos movimentos. No dia 31 de maio, a torcida corintiana Gaviões da Fiel, reuniu em um protesto as torcidas dos três maiores concorrentes entre os clubes do estado: Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Danilo Pássaro, da coordenação da Fiel, diz que as manifestações de Bolsonaro em apologia à ditadura e à tortura, além dos ataques à imprensa e aos profissionais da saúde motivam os protestos. O movimento se espalhou e as torcidas se uniram em várias cidades do país contra o governo. “Essa postura dele [Bolsonaro] nos faz assumir os riscos de ir para a rua no meio da pandemia. Nós queremos #ForaBolsonaro”, relatou.

A Central de Movimentos Populares, que integra a Frente Brasil Popular, se somou à manifestação em São Paulo. “Diante do avanço do fascismo e do racismo no país, dos constantes ataques do presidente Jair Bolsonaro à democracia, sua política ultraneoliberal e necropolítica, levamos para ruas a bandeira do Fora Bolsonaro e Mourão, em defesa dos direitos”, disse Hugo Fanton, da coordenação da CMP na capital paulista.

Em Brasília, os manifestantes carregaram faixas e bandeiras com dizeres contra o racismo, antifascismo, pela democracia, pelo respeito às mulheres e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Também, muitas pessoas saíram em defesa dos profissionais de saúde. Cerca de cinco mil participaram do ato na capital.

Vidas negras importam

No Rio de Janeiro, o ato foi marcado especialmente contra o racismo, que tem encontrado muito espaço no governo Bolsonaro. O ato é a segunda marcha Vidas Negras Importam na cidade. Na semana passada, os manifestantes protestaram em frente à sede do governo do estado do Rio de Janeiro.

O movimento repercute com os protestos contra a violência policial e o racismo nos Estados Unidos, que vem ganhando força e adesão internacional desde a morte de George Floyd, homem negro que morreu sufocado por um policial branco.
No Brasil, manifestantes lembraram outras mortes, como a do jovem João Pedro, que foi morto dentro de casa, durante uma operação policial da Polícia Federal, em parceria com a Polícia Civil, no Complexo do Salgueiro, em 17 de maio. Outros casos foram lembrados, como a menina Ágatha, de 8 anos, morta pela polícia com um tiro de fuzil. Mais recentemente, o menino Miguel Santana, de 5 anos, foi largado pela patroa da mãe, no nono andar de um prédio em Recife, de onde caiu e morreu. Em uma das faixas, “As mães negras não aguentam mais chorar”, e fotos e cartazes relembram chacinas e outros episódios de violência contra pessoas negras nos últimos anos.

Assista ao vídeo do ato no Rio produzido pela Cultnedoc
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A luta do movimento negro soma-se à bandeira pelo #ForaBolsonaro por considerar que seu comportamento incentiva a morte da população negra e dos pobres no país. Conforme a professora Mariângela Frazão, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), o fato de Bolsonaro ter nomeado um negro racista para presidir a Fundação Palmares, indica o seu desprezo pela causa no país. “Cerca de 66% das mortes pelo coronavírus já são de pessoas negras e pobres, e é isso que Bolsonaro quer. O objetivo dele é exterminar nosso povo. Por isso, nós queremos ele fora, e toda sua curriola”, disse durante live na página da CMP sobre o tema.

Processos contra Bolsonaro estão na pauta

Os protestos tomam volume num momento em que o governo começa a enfrentar os processos contra ele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). No TSE, deve ser iniciado essa semana o julgamento da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão por abuso de poder na eleição de 2018. Já no STF, os ministros devem decidir pelo prosseguimento do inquérito das fake news, aberto pelo próprio Supremo.