Em debate realizado na sexta-feira (6), o coordenador nacional da Central de Movimentos Populares recebeu a professora Marilândia Frazão – Militante do movimento negro (Conen) e o deputado Paulo Teixeira (PT/SP) para tratar dos temas racismo, fascismo e do #ForaBolsonaro.

Ao iniciar a live, realizada no Facebook da CMP, Raimundo Bonfim destacou que o país enfrenta três crises nesse momento:  uma crise sanitária, uma crise econômica que já estava presente e se se agravou e uma crise política que vem desde final de 2015, culminando no golpe contra a presidenta Dilma. “Eles falaram, para justificar o golpe, que em seis meses estaria resolvida a crise econômica e política e o que era uma ponte para o futuro virou um profundo retrocesso em nosso país, que resultou no aumento da miséria, da pobreza e no  o governo Bolsonaro, que promove um ataque direto à democracia.”

Bonfim pontua que as pautas de racismo, muito presente na atualidade, não só pelo assassinato do americano Jorge Floyd, mas porque aqui no Brasil acontecem milhares de assassinatos de negros e negras , como os casos recentes das crianças João Pedro, Ágatha,  e Miguel Santana, que foi largado pela patroa branca da mãe para cair do nono andar de um prédio. “No brasil o racismo é estrutural e cultural, praticado pelas instituições, especialmente pela necropolítica praticada por Bolsonaro”

A outra questão é o fascismo, relacionada diretamente com o #ForaBolsonaro, pois “é um governo que estimula essas duas pautas.”

Bonfim observa que o coronavírus, no Brasil, tem se mostrado uma doença social, racial e machista, porque aumentou a violência doméstica.  “O governo Bolsonaro incentiva isso.”

A professora Marilândia Frazão explica que o racismo brasileiro é estruturante e institucional, por que não diálogo sobre as políticas públicas voltadas para a população negra. “O que o racismo promove é a desigualdade social e racial da qual a população negra brasileira e do mundo padecem, porque o instrumento legal é uma política branca.”

Para a professora, o racismo expressa a indiferença assim, não são criados políticas públicas específicas para essa população. “56% da população brasileira é negra e alijada do processo estrutural, institucional.

“Muitas atitudes tidas como violência são, na verdade, desobediência para criar outra ordem.”

E continua: “O racismo brasileiro não é novidade, a gente vem lutando  desde o brasil colônia para ter visibilidade contra um estado racista, a pauta virou mundial, porque os EUA tem essa mesma luta, e a polícia de lá não é diferente daqui, ela mata os negros.”

No Brasil, a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado pelo estado. Para Mariângela, a solução é a reconexão com as periferias, a sociedade tem que saber o que essa população precisa e atender.  Para ela, a pandemia tornou mais evidente o racismo: Onde está a população que o estado não alcança?, pergunta. “Nas periferias e favelas. E quem é a maioria nesse lugares? A população negra e pobre, que está marcada para morrer, porque os equipamentos oficias não funcionam, a população negra é 66% dos que estão morrendo.”

A professora destaca que a pauta contra o racismo existe de 1888, quando houve a abolição no Brasil, mas a população negra foi abandona à própria sorte, sem nenhum direito, fato que se repete até hoje.

“A gente  foi jogado na sarjeta à nossa própria sorte e desde então estamos nos organizando para lutar pelo emprego, pela renda e pra não morrer desamparado sem o braço do estado.”

Destaca  que o Movimento Negro está lutando para a deposição do presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo, um negro que é contrário às causas do movimento dos negros. “Somos pelo #ForaBolsonaro e todo sua curriola.”

E conclui: “O Lula tem que ser o presidente porque ele é macro, ele foi o que mais avançou nas políticas sociais, e só não avançou mais porque deram um golpe no governo Dilma.”

Como destituir Bolsonaro

O deputado Paulo Teixeira, por sua vez, explicou as três possibilidades reais de impedimento do governo Bolsonaro. A primeira é a anulação da eleição por fraude, processo relacionado com o uso das fake news nas eleições de 2018. A segunda, como resultado de inquérito que tramita no STF por crimes de responsabilidade e o terceiro, o processo de impeachment.

Caso Bolsonaro seja afastado pela anulação das eleições, é preciso uma nova eleição. Se ele for afastado pelo impeachment ou pelo processo no STF, quem assume é o vice.

Novas eleições

Para evitar que o Brasil seja comandado por alguém alheio à vontade do povo, Paulo Teixeira, juntamente com o deputado Henrique Fontana (PT/RS), apresentaram uma  Proposta de Emenda Constitucional (PEC), propondo que, nas hipóteses de afastamento do presidente da república, sejam realizadas novas eleições em 90 dias. “Essa é a saída que a gente quer, a que o povo participa, não a saída das elites, que faz tudo que o Bolsonaro está fazendo, sem o Bolsonaro. Queremos mudar o rumo do carro, queremos que a população decida quem vai ser o presidente da República.”

Frente Ampla ou Frente Popular?

O deputado fala sobre as possibilidades que surgem de criação de uma frente para destituir Bolsonaro. Teixeira explica que, nesse momento em que a democracia brasileira está em risco, é preciso reunir a todos que querem o fim  desse governo “racista, fascista e anti-democrático”. Para ele, a melhor definição sobre a criação de uma frente vem da ex presidenta A Dilma Roussef, que fala em Frente Popular com aliança democrática.

“Queremos um país em que o trabalho seja mais valorizado que o capital? Essa é uma frente. Queremos que o Brasil tenha crescimento com geração de emprego? Essa é uma frente. Queremos que o Brasil tenha reforma tributária com distribuição de riquezas?  Ou um país que não tenha autonomia do Banco Central? É outra frente. Queremos um país com transformação social? temos que fazer uma frente. Mas,  nesse momento, temos que fazer alianças democráticas para tirar Bolsonaro. Uma frente popular com alianças democráticas.”

A Central de Movimentos Populares, o movimento negro e os partidos de oposição estão unidos nas manifestações pelo #ForaBolsonaro em todo o país.

Assista à live na íntegra AQUI 
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