O bairro Vergel do Lago, localizado na parte baixa da capital alagoana, ocupa a segunda posição no número de óbitos por coronavírus em Maceió e o oitavo lugar no número de pessoas diagnosticadas, segundo a última atualização do painel Covid-19 em Alagoas, mantido pela Secretaria de Estado de Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag-AL).

É também no Vergel do Lago, no trecho conhecido como Dique Estrada, que está localizada a maior chaga aberta histórica de Alagoas — o complexo que envolve ao menos cinco grandes favelas margeadas pela Lagoa Mundaú que escancara o problema do desrespeito ao direito a uma moradia digna.

Morador tenta conseguir água em poço improvisado

E em tempos de pandemia do coronavírus, mesmo com ações solidárias promovidas para minimizar os efeitos ocasionadas pelas medidas do Governo de Alagoas e as orientações dos órgãos de saúde pública que estabelecem o isolamento social, milhares de famílias que moram nas comunidades Mundaú, Sururu de Capote, Pavilhão, Peixe e Torre sofrem com as consequências da falta de todos os tipos de direito no ambiente em que vivem.

Por lá, seguir as recomendações de higiene básica parece ser impraticável. “Contra o coronavírus, mantenha as mãos limpas. Lave-as com água e sabão”, dizem repetidamente as campanhas de rádio, tv, internet e de carros de som.

“Só queremos uma vida melhor para a gente, né? E assim fica impossível manter a doença longe, o coronavírus. Queremos apenas uma melhora para a gente e saúde. Só isso”, disse José Cícero, morador há dez anos da Favela Sururu de Capote.

Diante desta situação, o Comitê dos Povos de Alagoas e o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores de Alagoas (MTD) solicitaram — via ofício — à Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) a instalação emergencial de 20 pias nas comunidades que margeiam a orla lagunar de Maceió.

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A solicitação — encaminhada ao gabinete da presidência da Casal na quinta-feira, dia 28 de maio, justifica que em meio aos problemas sanitários enfrentados pelas milhares de pessoas que vivem nas cinco comunidades e a necessidade das boas práticas de limpeza, a iniciativa tem caráter de urgência já que o vírus vem se proliferando no bairro.

O documento também cita a atuação do Movimento e do Comitê com as campanhas permanentes de solidariedade: como a distribuição de máscaras e alimentos, a entrega de lonas doadas para minimizar a chuva prevista para este mês e a implantação das farmácias vivas de plantas medicinais.

“Até o momento, após enviar o ofício direcionado ao gabinete da presidência da Companhia, recebemos apenas a resposta que a solicitação foi recebida. É uma situação alarmante porque em muitas destas comunidades são apenas três ou quatro torneiras comunitárias e é onde as pessoas tomam banho e enchem garrafas de maneira precária, mas a real é que isso não é acesso à água. A ideia é que esses pontos de higienização fiquem nas entradas principais, colocaríamos um ponto desse com torneira, água e sabão”, explica Samuel Scarponi, integrante do Comitê.

Ainda segundo Scarponi, uma campanha nas redes sociais tem sido feita para que a Casal possa responder de maneira mais rápida se será possível ou não atender ao pedido de ajuda para prevenir o novo coronavírus no local.

“Nós estamos marcando o instagram da Companhia nos comentários das publicações para que a resposta possa vir o mais rápido possível. Neste sentido, qualquer contribuição é bem-vinda, por ser uma questão que define a vida ou a morte de uma população”, disse o representante do Comitê.

Sobre o assunto, a Casal informou – por meio de sua assessoria de comunicação – que o pleito está sob análise e em breve terá uma resposta mais efetiva quanto à solicitação do Comitê dos Povos de Alagoas e do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadores por Direitos.

Fonte: Oque os olhos não veem