O Plano, lançado nessa sexta-feira, 5 de junho, dia mundial do meio ambiente, tem objetivo de pautar a reforma agrária na sociedade, destacando a crise ambiental que se relaciona à pandemia e vem sendo gerada pela exploração insustentável dos bens naturais.

Como resposta às crises que o Brasil atravessa, aponta suas múltiplas ações em torno da preservação ambiental, como o plantio massivo de árvores e a produção de alimentos agroecológicos, assinalando que a reforma agrária é fundamental para garantir que as grandes cidades sejam abastecidas com alimentos saudáveis, a preço acessível.

O Plano Emergencial de Reforma Agrária Popular apresenta medidas principais de proteção e produção que tem o objetivo de garantir condições de vida digna para a população do campo, baseadas em três pilares:

1 – Reforma agrária popular como uma ferramenta para superar a crise alimentar, superando o modelo do agronegócio e contribuindo para a geração de milhões de empregos.

2- Preservação do meio ambiente – é possível produzir respeitando a natureza, numa associação saudável com o meio ambiente bastando, para isso, substituir o modelo capitalista de produção baseado na monocultura e no uso de agrotóxicos.

3- O terceiro grande pilar está conectado com a dimensão internacional, na defesa dos pobres e contra a violência estrutural que acontece com as populações negras e periféricas.

Colonização, capitalismo e escravidão são as origens do problema agrário o Brasil – Roberto Baggio, coordenador nacional do MST explica que no Brasil há um problema agrário estrutural que vem desde a colonização, quando os europeus implantaram o modelo do capitalismo, destruindo  o modelo de produção dos povos que aqui viviam e incorporando o modelo de grandes propriedades de terra. Também implantaram a escravidão por 400 anos e a monocultura, destruindo a diversidade para atender aos interesses do mercado internacional.

“O modelo de hoje reflete essa situação histórica, e estamos num processo crescente de propriedade da terra. A maioria da população urbana que vive nas periferias, foi de agricultores expulsos de forma violenta de suas terras há muito tempo, por esse modelo vigente até hoje”, diz o dirigente.

Democratizar a terra – Baggio explica que a proposta é desapropriar e democratizar a terra, para que ela possa estar na mão dos agricultores e gerar milhões de empregos, especialmente no cinturão ao redor dos grandes centros urbanos, deslocando a população que vive em favelas e desempregada, para a produção de alimentos. “Isso vai desinchar as periferias e garantir alimento e renda para milhares de brasileiros que hoje vivem à margem da sociedade.”

O dirigente afirma que a união entre os trabalhadores do campo e das cidades é fundamental para a luta por reforma agrária, pois se os centros urbanos perceberem a importância da distribuição da terra e da produção de alimentos, será uma adesão natural à causa. “Todos consomem a produção do campo, não estamos separados”.

Fora Bolsonaro – O dirigente defendeu ainda que, para dar seguimento nas propostas de reforma agrária, educação e saúde para o povo brasileiro, é preciso tirar Bolsonaro do governo: “Temos que ter um projeto democrático para o Brasil. Bolsonaro só prega a violência e a destruição do nosso país. Nós do MST estamos juntos com todos os movimentos que estão se levantando pelo impeachment desse governo.”

Ações solidárias – Desde o início da pandemia, o MST vem realizando ações de solidariedade que consistem em doar alimentos agroecológicos nas periferias dos centros urbanos, onde milhares e pessoas estão enfrentando grande dificuldade de sobrevivência. A falta de renda, ou o valor irrisório do auxílio emergencial de R$ 600 disponibilizado pelo governo, em muitos casos insuficiente para sustentar uma família, tem colocado milhares de pessoas em situação de grave vulnerabilidade.

Nesse sentido, o MST já doou mais de 1200 toneladas de alimentos fresquinhos para as populações das cidades. Também a campanha Periferia Viva, que nasce do seio do MST para fazer uma ponte entre a produção no campo e os centros urbanos, tem realizado milhares de doações, atividades culturais e de consciência política nos locais periféricos.

O MST compõe a campanha nacional de solidariedade Vamos Precisar de Todo Mundo, das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que reúne parceiros entre movimentos sociais, estudantis, sindicatos e coletivos para dar visibilidade e apoio às inúmeras ações solidárias que estão acontecendo durante o isolamento social. Acesse o site todomundo.org para saber mais.

Débora Nunes, do MST de Alagoas fez a mediação do evento.

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