Marcha Mundial das Mulheres e União Brasileira de Mulheres organizam as atividades solidárias e políticas no país

Compondo com diversos movimentos sociais organizados em ações solidárias nesse momento de pandemia, as entidades que representam as mulheres encampam essa luta com muita garra e disposição. Entre elas, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e a União Brasileira de Mulheres (UBM) tem se destacado com atividades que levam solidariedade e consciência política aos mais afetados pelos efeitos do isolamento social. Entre as bandeiras de lutas feministas e o cuidado com o próximo, o chamado pelo #ForaBolsonaro une as ações das mulheres em todo o país.

A MMM e a UBM integram a campanha de solidariedade da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo ‘Vamos Precisar de Todo Mundo’, que reúne em seu bojo movimentos sociais, sindicais, entidades, e coletivos da sociedade civil para abrigar e dar visibilidade às diversas ações solidárias que acontecem em todo o país nesse momento de isolamento social.

As frentes populares também estão em campanha pela taxação de grandes fortunas, por meio do abaixo assinado Taxar Fortunas para Salvar Vidas e pelo Fora Bolsonaro. No dia 21 de maio, foi entregue na Câmara dos Deputados pedido de impeachment da chapa Bolsonaro Mourão, assinado por 7 partidos e 400 entidades sociais. Até o momento, foram protocolados 38 solicitações de impedimento do atual governo.

Marcha Mundial das Mulheres: organização e luta, pela vida e pelo Fora Bolsonaro 

A MMM realiza, a cada 5 anos, uma Ação Internacional para marcar as decisões políticas do Movimento, conectando os processos organizativos do Brasil às lutas do movimento feminista mundial. Denominada #ForaBolsonaro, a Ação, realizada no dia 30 de maio, foi marcada por ações de solidariedade em quase todos os estados, além de twitaços, debates e atos culturais, para pontuar a luta contra a pandemia e denunciar o governo de extrema-direita de Bolsonaro. “Estamos mostrando que esse governo não se ocupa das questões reais do Brasil, como o desemprego, o aumento da extrema pobreza e o alto índice de mortalidade do Covid 19.”

 

Para as militantes da MMM, a política antipovo de Bolsonaro, que prioriza as grandes empresas  em detrimento da vida, é  considerada como um dos principais problemas do país nesse momento. O desmonte das políticas públicas e a precarização do trabalho explicitam o ataque do capital contra a vida, sobretudo durante a pandemia. Por isso, as campanhas de solidariedade são pontuadas pelas ações políticas, especialmente no #ForaBolsonaro.

“O momento que vivemos reforça ainda mais a necessidade da nossa luta. Nossa pressão é por políticas de proteção social e pelo fim desse governo genocida. Somos parte da organização de ações de solidariedade e da campanha pela taxação das fortunas, que é parte de uma luta por justiça tributária, temas conectados à luta internacional pelo desmantelamento do modelo capitalista neoliberal nas suas dimensões de classe, raça, do patriarcado, da exploração da natureza e do colonialismo”, diz a publicação do site da MMM.

Em março, no início do isolamento social, a MMM lançou um manifesto onde propõe dez medidas emergenciais do combate ao Coronavírus. Dentre elas, a revogação imediata da Emenda Constitucional do teto de gastos (EC 95), a distribuição de cestas básicas para as famílias com crianças cujas creches/escolas suspenderam as aulas, medidas emergenciais para resolver a crise de abastecimento de água, mobilizar a infraestrutura de saúde privada para o combate ao coronavírus sob controle público e transparência de informações sobre como evolui a pandemia e sobre medidas governamentais.

Veja todas as medidas: https://bit.ly/2yXhAjR

Para iniciar o mês de junho, a MMM lançou o Fórum Popular da Natureza, uma iniciativa articulada entre diversos movimentos e organizações do campo e da cidade, com ambientalistas, feministas, sindicalistas, indígenas, camponeses, juventude, movimentos estudantis e de moradia. A proposta é ampliar o diálogo com a população sobre os desmatamentos, queimadas e a crise das mudanças climáticas que são agravados pelas medidas do atual governo.

Saiba mais sobre o Fórum: https://bit.ly/2BsPLAP

Confira as ações realizadas pela MMM por estado:  https://bit.ly/3eE4zdW

Com a campanha Isolamento sem Fome a União Brasileira de Mulheres (UBM) leva solidariedade às periferias, que sofrem com a pandemia e com a pobreza

A campanha de solidariedade ISOLAMENTO SEM FOME, liderada pela União Brasileira de Mulheres na Cidade de São Paulo (UBM Capital) e pela Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), começou em março, dias após o início da quarentena, com objetivo de atender inicialmente 700 famílias de comunidades vulneráveis na periferia de São Paulo, onde a UBM e as entidades parceiras têm núcleos, sobretudo famílias nas quais as mulheres são as principais responsáveis pelo sustento da casa e os cuidados com as crianças e os idosos.

Em poucas semanas as arrecadações superaram a meta, tendo chegado a 1.200 cestas básicas antes do Dia das Mães, quando foi feita distribuição na Comunidade Capadócia, na Brasilândia, o distrito paulistano com mais mortes por covid-19.

Na segunda fase, a ação teve apoio do Fundo Enfrente, por meio de edital que selecionou a UBM como uma das organizações beneficiadas pela plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria. Pelos critérios, a cada real que a campanha arrecadava, o fundo acrescentava dois reais. Em uma semana (de 6 a 13 de maio) foi atingido o teto estipulado de 30 mil reais para compra de 500 cestas – dinheiro arrecadado em plataforma própria montada pela Benfeitoria.

As entidades organizadoras da campanha almejam, agora, neste mês de junho, complementar a arrecadação para chegar às mesmas 1.200 cestas da primeira etapa. Nesta fase, a campanha retorna à plataforma original da iniciativa (https://www.isolamentosemfome.com.br).

“As pessoas precisam se alimentar continuamente, e, como não sabemos quanto tempo durará a crise da pandemia, as arrecadações continuarão por mais algumas semanas ou meses”, diz Claudia Rodrigues, presidente da UBM Capital.

     

Claudia, acostumada a lidar com as mazelas da pobreza em São Paulo, diz que a pandemia agravou o drama das famílias que vivem em favelas e outros aglomerados. “As pessoas já não tinham emprego e muitas não tinham sequer algum tipo de renda esporádica, agora falta até a merenda das crianças, que em muitos casos era a principal – ou única – refeição do dia. Praticamente impossível cumprir quarentena quando falta o básico nessas habitações precárias, como água encanada e rede de esgoto, falta inclusive ventilação, porque nos cômodos minúsculos se amontoam muitos moradores e às vezes não há janelas.”

Ao visitar essas localidades durante a campanha de solidariedade, ela se certificou de que o coronavírus é “muito mais trágico, mais cruel, mais mortal para os pobres. A desigualdade social, que é um traço característico do Brasil há bastante tempo, ficou escancarada com o advento da covid-19.”

A líder feminista também argumenta que, em um momento de tragédia humanitária, os movimentos organizados da sociedade precisam agir, porque a pessoa que não consegue emprego, renda e comida, necessita de amparo imediato, não pode esperar a ação de um governo que não assume suas responsabilidades desde antes da chegada da epidemia.

“As mulheres estão na luta contra Bolsonaro e a escalada de violência e autoritarismo cometida pelos grupos milicianos da extrema-direita que apoiam o presidente e seu governo da morte. Por isso, somos a favor de uma ampla união de forças para barrar a ascensão do fascismo e os perigos que ele representa para a humanidade.”

Além da arrecadação online, há parcerias com empresas, pessoas físicas e ONGs –, como a Ação da Cidadania – que também doam cestas básicas, água mineral, itens de higiene e limpeza e produtos a granel, como sacos de arroz. À época da Páscoa, as organizadoras da Isolamento sem Fome receberam ovos de chocolate, distribuídos para crianças nas zonas Leste, Norte, Sul e Centro, e em meados de maio receberam máscaras laváveis, doadas a moradores da Brasilândia.

A campanha tem parceira com a União da Juventude Socialista, Movimento pelo Direito a Moradia, União de Negros pela Igualdade e Instituto Vila Fundão (no Capão Redondo), que também estão fazendo arrecadações próprias para atender famílias em suas áreas de atuação na periferia e que também integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Nesse mutirão, as entidades parceiras têm listas de prioridades que vão sendo supridas conforme se avolumam as doações; às vezes uma entidade supre a lista de outra para atender situações mais emergenciais.  “É um esforço coletivo que potencializa a capacidade de arrecadação e principalmente de distribuição rápida dos donativos”, explica Claudia.

Pesquisa revela: quase 40% das famílias são chefiadas por mulheres só na Grande São Paulo

De acordo com pesquisa divulgada em março pela Fundação Seade, somente em São Paulo, 39% das famílias têm chefes mulheres, seja com ou sem cônjuge e com ou sem filhos.

A situação mais comum, diz a pesquisa, continua sendo aquela em que a mulher chefe de família vive apenas com filhos e/ou netos. Mas a parcela de famílias formadas por casal, com ou sem filhos, e chefiadas por mulheres já chega a quase um quarto (24%) do total.

A idade média das mulheres que são chefes de família é de 53,8 anos. E as famílias chefiadas por elas têm rendimento aproximadamente 30% menor em relação às comandadas por homens .

A pesquisa mostra que  trabalho é única fonte de renda para 44% das famílias chefiadas por mulheres, situação de 59% das chefiadas por homens. E 10,9% das famílias comandadas por mulheres recebem benefícios de programas sociais, ante 7,7% dos homens. Aproximadamente 1,1 milhão de pessoas vivem em famílias que recebem esses benefícios.

Outro aspecto revelado pela pesquisa é que as mulheres chefes de família vão mais ao comércio do dia a dia (41%), a atividades religiosas (23%) e a serviços de saúde (13%). Já os homens saem mais para atividades de lazer (22%) e práticas esportivas (12%).

Confira aqui a íntegra da pesquisa.

Fontes:  site da MMM 
Ascom da UBM Capital