No último dia 28 de maio, em plena pandemia de covid-19, gerando aglomeração, 15 famílias foram expostas e despejadas pela Fiscalização Geral do município de Ribeirão Preto da Comunidade das Mangueiras.

As famílias atingidas na ação realizada pelo governo Nogueira alegaram não terem sido notificadas de que a remoção ocorreria, não podendo se preparar para sair e salvar seus pertences, o investimento feito para subir as construções.

Nós compramos esse material. É uma injustiça. Nós viemos para cá porque pagamos aluguel, para fuigr do frio. Eles deveriam dar uma solução. Não tem casa, não tem serviço , não tem nada. Como que nós vamos viver?, afirmou Liliana, morada atingida pela remoção.
O Coordenador da UMM, Edson Luis (Cebola) lembrou que, em 7 de novembro de 2019, com a presença do Secretário de Governo Alberto Macedo, o Secretário de Planejamento e Gestão Pública, Edsom Ortega Marques e outros representantes do governo assinaram uma ata suspendendo às reintegrações de posse no município.
Edson (Cebola) em conversa com atingida pela remoção.
Em entrevista a EPTV, o chefe de divisão da Fiscalização Geral da prefeitura de Ribeirão Preto, Luciano José Alves da Silva, para justificar a remoção das pessoas em plena pandemia de covid-19, na semana mais fria do ano em Ribeirão Preto, afirmou que a ação do governo não se  tratava de uma reintegração de posse mas de “um impedimento de invasão de área pública”.
Luciano José Alves da Silva, chefe de divisão Fiscalização Geral e responsável pela ação de remoção das famílias na Comunidade das Mangueiras
Outra reclamação bastante frequente realizada pelos habitantes da Comunidade das Mangueiras é a falta de saneamento básico no local. Os moradores convivem constantemente com a escassez de água, a proliferação de insetos como aranhas, baratas e escorpião. Também não houve acompanhamento dos agentes de saúde à comunidade para saber das necessidades da população na quarentena.
Durante a remoção, em nenhum momento, segundo os moradores, algum representante de órgãos públicos como a Assistência Social, o Conselho Tutelar ou apareceu para saber como estavam as famílias, para onde elas iriam após o despejo.
A GCM foi deslocada emdem peso pelo governo para garantir a ação da fiscalização geral.
Douglas Marques, advogado e integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Ribeirão Preto afirmou, no dia, que a ação era um contra senso.
“Enquanto todas as orientações são para que as pessoas fiquem dentro de casa, a prefeitura vem no contraponto e quer colocar essas pessoas na rua, derrubar barracos e pessoas. Não há explicação para o que está acontecendo aqui, é inaceitável”.
O Coordenador da Associação Pró-Moradia e Cidadania Jd. Itaú, Juninho Itaú destacou que a remoção ocorreu em um momento inoportuno.
“É um momento errado, um momento de pandemia, de covid-19, deveria ser respeitado. Sem nenhum protocolo direcionado a essas famílias, essas famílias estão aqui desabrigadas, vão continuar desabrigadas. Eles (a prefeitura) falam que as pessoas precisam ficar em casa mas para ficar em casa tem que ter casa”.
No final da manhã, início da tarde, o advogado da Comunidade das Mangueiras, Fernando Tremura, com apoio da UMM, conseguiu negociar com a GCM e a Fiscalização Geral a retirada das máquinas, permitindo que os próprios moradores retirassem seus materiais e pertences do local, impedindo, desse modo, um mal maior.
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