Núcleos vão combater notícias falsas e atuar com políticas públicas ou com ações inovadoras nas áreas mais vulneráveis

Em encontro virtual que superou as expectativas de adesão, foi realizado, em 25 de maio, o lançamento da Brigada pela Vida na cidade de São Paulo, quando foram aprovadas as normas que vão nortear as suas ações.

A videoconferência contou com 170 pessoas, das quais agentes públicos, militantes da saúde, dos direitos da criança e adolescentes, de moradia, educadores, artistas e ativistas das causas feministas e LGBT.

O nome é inspirado na Brigada Emergencial de Saúde dos estados nordestinos que,  sob a coordenação do neurocientista Miguel Nicolelis, vai contar com médicos e agentes comunitários de saúde no combate da covid 19.

Aliás, o professor Nicolelis gravou vídeo de apoio a Brigada paulistana exibido no início da transmissão. Está no topo.

O avanço da pandemia tornou o Brasil novo epicentro da doença. Com 411.821 casos até 27 de maio o País ocupa o segundo lugar no número de infectados. E é sexto com 25.598 óbitos.

Na cidade de São Paulo, a Zona Leste com 2.468 óbitos supera o estado de Pernambuco em vítimas fatais, mostrando o agravamento da doença na periferia.

É nesse contexto que surge a Brigada.

Núcleos regionais estão sendo formados para atuar nas mais diversas áreas, seja com políticas públicas existentes ou com ações inovadoras nas áreas mais vulneráveis.

A missão imediata no momento é conter a influência genocida das milícias digitais que espalham nas mídias sociais falsas notícias que confundem a população.

Para se contrapor serão produzidos materiais didáticos com base nas orientações da Organização Mundial da Saúde e o respeito ao distanciamento social.

Para além do combate das falsas notícias, há outras frentes.

Com dificuldades para se isolarem em suas residenciais pelas condições precárias ou por não acreditarem na necessidade da quarentena, as aglomerações continuam nas periferias.

Grupos de pessoas se concentram nos centros comerciais dos bairros e nas filas da Caixa Econômica Federal atrás do auxílio emergencial do governo federal. São quase 10 milhões de pessoas que estão pendentes.

Na Zona Leste, a Brigada se junta ao movimento pelos hospitais de campanha na região, reivindicados para o estacionamento da Arena Corinthians e o Sesc Itaquera.

E outra causa importante são os Centros de Acolhida para isolamento voluntário de pessoas infestadas, mas sem sintomas.

Nessas unidades, as pessoas deverão receber alimentação e condições para repouso, a fim de cumprir o ciclo de 14 dias e se livrarem do contágio.

Os CEUS (Centros de Educação Unificados) podem muito bem ser adaptados como centros de acolhidas.

Esses centros só têm sentido, porém, se for adotada estratégia de testes em massa.

As estatísticas no País são contestadas por especialistas que apontam sete vezes maior o número de casos, justamente por falta de testes.

Ao todo, o Brasil realizou perto 500 mil exames. É um número incipiente se comparado com a Alemanha que chegou a aplicar 150 mil testes por dia e a China com 800 mil/dia. Por isso, é hora de exigir os 46 milhões de testes prometidos pelo Ministério da Saúde.

Essas são algumas ações no horizonte, mas é preciso ir além.

Se na esfera federal, o presidente continua a desacreditar da pandemia (“é gripezinha”), em São Paulo a dupla Doria/Covas faz marketing diariamente. Suas intervenções se restringem ao campo sanitário, necessários, mas não suficientes.

Ainda mais agora com a decisão repentina de Doria/Covas de relaxar a quarentena em São Paulo quando a cidade registra a média de 100 mortes diárias.

Trata-se de uma medida do agrado dos shoppings, mas que, infelizmente, vai aumentar as vítimas fatais.

Mesmo porque há uma semana o discurso era de que “batalha contra a Covid 19 está sendo perdida”.

A realidade é que as políticas públicas não chegam à periferia. Em muitos lares o medo da doença se soma à fome. E não faltam recursos.

A Câmara Municipal aprovou remanejamento no orçamento de R$ 1,2 bilhão para a Prefeitura no combate à pandemia.

Que a Brigada se consolide para as lutas após a pandemia, como o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e a batalha contra o desemprego

*Juliana Cardoso é vereadora (PT), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente e membro das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo.

Viomundo