O primeiro ato confirmado do movimento é a Marcha pela Vida, que acontecerá no dia 9 de junho

Diante das mais de 25 mil mortes oficiais decorrentes da Covid-19 e com o agravamento das crises sanitária, política e econômica no Brasil, nove entidades da sociedade civil lançaram nesta sexta-feira (29), a Frente pela Vida, com o objetivo de ampliar o diálogo para outros setores e buscar soluções para mitigar os problemas sociais expostos com a pandemia.

De acordo com os representantes das entidades que compõem o movimento, a grave crise sanitária, econômica, social e política  que o país enfrenta, está exigindo de todos os setores organizados e dos representantes do povo, o exercício dos princípios da solidariedade e da dignidade humana, baseado na democracia e na busca de soluções conjuntas para o bem comum de toda a população.

A Frente tem sua tem sua origem no “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, manifesto lançado em 7 de abril pela OAB, ABI, ABC, CNBB, Comissão Arns e SBPC e endossado por mais de 100 entidades.

“Esse é o momento de convocar toda a sociedade brasileira para se somar à defesa da vida. Precisamos de caminhos para impedir que o número de mortes aumente ainda mais; e esse caminho deve ser orientado pela ciência e pelo fortalecimento do SUS. Temos que valorizar os pesquisadores brasileiros, que têm dado importantes contribuições no enfrentamento da pandemia. Precisamos de muita solidariedade, principalmente para aqueles que vivem em situações de vulnerabilidade. Mais do que tudo, precisamos defender a democracia para garantir as condições dignas para todas e todos os brasileiros”, disse Gulnar Azevedo e Silva, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que mediou o debate.

Para Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), “é preciso chamar a atenção para a importância da vida como um direito inalienável da pessoa humana, direito que está na Constituição Federal, e que nos une a todos. Convidamos a todos os setores da sociedade para que se juntem a nós nessa Frente”.

Na opinião do diretor da Andifes e reitor da UFBA, João Carlos Sales,  ao pensar a vida como condição fundamental, é preciso entender que ela não é um cálculo, mas a condição do cálculo. “Todo nosso sistema existe por causa da vida, e não o contrário, por isso ela tem que ser respeitada. Precisamos defender as políticas públicas, a solidariedade como um modelo de comportamento e a democracia, tão vilipendiada nesse momento.”

O padre Paulo Renato, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembra da Encíclica do Papa João Paulo II de 1998, onde são abordadas as relações entre a fé e a razão (fides et ratio), que constituem as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. “Nesse contexto histórico, a religião pode ser conduzida para o negacionismo e não é isso que a CNBB entende. É necessário não confundir a fé com a negação e a lucidez precisa ser a conduta das nossas instituições.”

Marcha pela Vida: o Dia “V”

Na ocasião, também foi anunciada a Marcha pela Vida, o Dia  “V”, que vai acontecer durante todo o dia 9 de junho, com diversas manifestações virtuais para mostrar a necessidade dessa unidade na sociedade no sentido de apontar respostas científicas e humanas para a crise.

A programação do Dia “V”, inclui atividades locais, regionais e individuais de entidades, instituições e organizações de todos os setores na parte da manhã, e uma conferência virtual de âmbito nacional, na parte da tarde. Ao meio-dia haverá um tuitaço. Os participantes da Marcha pela Vida poderão mostrar na internet onde estão se manifestando em tempo real, com avatares, através do aplicativo Manif.app, ferramenta criada na França e que já vem sendo utilizada no País para manifestações em tempos de coronavírus, conforme explica a página da SBPC.

Após esse evento, serão elaborados documentos e posicionamentos coletivos que apontem caminhos para a produção e promoção de políticas públicas, coerentes e necessárias ao momento da epidemia no país.

Manifesto pela Vida

A Frente divulgou no lançamento um manifesto no qual apresenta os seis pilares que fundamentam a iniciativa:

– O direito à vida é o bem mais relevante e inalienável da pessoa humana, sem distinção de qualquer natureza;

– As medidas de prevenção e controle no enfrentamento da pandemia da COVID-19 devem ser estabelecidas com base científica e rigorosamente seguidas a partir de planejamento articulado entre os governos federal, estadual e municipal;

– O Sistema Único de Saúde – SUS é instrumento essencial para preservar vidas,  garantindo, com equidade, acesso universal e integral à saúde;

– A solidariedade, em especial para com os grupos mais vulneráveis da população, é um princípio primordial para uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna;

– É imprescindível para a vida no Planeta a preservação do meio ambiente e da biodiversidade, garantindo a todos uma vida ecologicamente equilibrada e sustentável;

– A democracia e o respeito à Constituição são fundamentais para assegurar os direitos individuais e sociais, bem como para proporcionar condições dignas de vida para todas e todos os brasileiros.

Confira o Manifesto na íntegra aqui

Compõem a Frente as entidades:

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), o Conselho Nacional de Saúde (CNS), a Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), a Rede Unida, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Fontes: Ciência Pela Vida, Jornal da Ciência, Abrasco

Assista ao lançamento na íntegra:
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