A reunião contou com a participação de mais de 300 lideranças entre movimentos sociais e partidos progressistas

A plenária nacional realizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, nesta quarta-feira (27), com lideranças dos movimentos sociais e estudantis, entidades de classe, sindicatos e partidos de esquerda, definiu as diretrizes para a intensificação da campanha pelo Fora Bolsonaro, visando reforçar o pedido de impeachment do atual presidente protocolado na Câmara Federal no último dia 21. O documento foi assinado por diversas legendas partidárias e mais de 400 entidades e movimentos sociais.

Entre as lideranças presentes, João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST e Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST),  em sua análise de conjuntura, afirmaram que é necessário intensificar o Fora Bolsonaro e ampliar o diálogo político com a sociedade.

Em sua fala, Stédile explicou que o Brasil tem três caminhos para substituir o atual governo. O primeiro seria a renúncia, que é uma proposta da burguesia com a tutela das Forças  Armadas. A segunda possibilidade é o impeachment, convocado pelo anseio da sociedade. E o terceiro caminho seria o Supremo Tribunal Federal entender que as ações de Bolsonaro são atos políticos.

Unidade Popular –Stédile reforça a necessidade de uma ampla aliança popular, com todos os setores e movimentos progressistas, para derrubar Bolsonaro. “Vamos buscar essa construção, mantendo nossas bases, representadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que continuarão as lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora, do emprego, da soberania.  E fortalecer as campanhas pela taxação das grandes fortunas, renda básica permanente e em defesa do SUS.”

Como medidas que vão possibilitar a unidade em torno do Fora Bolsonaro, ele propõe aumentar a pressão para que as autoridades conheçam e utilizem as diretrizes apontadas na Plataforma Emergencial de Combate ao Coronavírus, lançadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que aponta soluções emergenciais à crise agravada pela pandemia.

Como massificar o Fora Bolsonaro? É a segunda questão levantada pela liderança, que sugere campanhas virtuais para pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia e o presidente do STF, Dias Toffoli, para que decidam abrir o processo de impeachment.

Criar a Rede Nacional Popular de Comunicação – uma espécie de Voz do Brasil do campo popular para difundir as ações do campo progressista do Brasil, no interior e nas capitais.

Bolsonaro: caos social  como meta de poder
Por sua vez, Guilherme Boulos alerta que o projeto de Bolsonaro é o de criar o caos, com mortes e violência generalizada, para gerar o ambiente propício a uma tomada de poder pelos militares.   “A estratégia do Bolsonaro nesse momento é a de usar o desespero das pessoas para o seu projeto fascista; ele faz uma aposta calculada e consciente no caos”, afirma.

Em sua visão, o aumento do sofrimento causado pela crise econômica e sanitária, pode provocar convulsões e violência generalizado nos setores mais populares. “Num cenário de caos social Bolsonaro pode convencer as forças armadas a embarcar numa ideia de golpe. Ele trabalha para fazer com que esse cenário se concretize.”

Em seguida, o dirigente aponta os desafios mais importantes para o campo popular e de esquerda no Brasil:

Unidade para a frente ampla– o primeiro é o desafio da unidade, “precisamos abrir e articular com as frentes mais amplas possíveis, estar numa frente antifascista com união de outros campos não significa deixar nossas bandeiras que disputam a opinião da sociedade.”

Fortalecer as redes de solidariedade –As iniciativas de solidariedade, além de levar a sobrevivência a milhares de pessoas que não estão recebendo nada do governo, organizam e capitalizam a consciência do povo, que está sendo disputada pelo fascismo.

Fora Bolsonaro– Para Boulos, derrubar o Bolsonaro é a medida mais concreta para poupar emprego e vidas no brasil. “A política neoliberal fanática e a política de não poupar vidas são dois pontos que temos para esclarecer a opinião das pessoas”.

Pressão nas redes – Como iniciativas para fortalecer essas ações, Boulos coloca as redes sociais como protagonistas, para que o impeachment ganhe força nas esferas institucionais.  Para ele, o impeditivo de manifestações presenciais pelo isolamento social, pode ser compensado pelas intervenções digitais e virtuais nas redes. “Nós não estamos derrotados, a vida também não está fácil do lado de lá, porque está começando a se romper esse bloco político e social que colocou o Bolsonaro no poder”, concluiu.

CUT– Em outra análise, Carmem Foro, da coordenação Nacional da CUT reafirma a importância das ações que as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo vem realizando, como a Plataforma Emergencial de Combate ao Covid, lançada no dia 31 de março, a campanha de Taxação de Fortunas e a campanha de Solidariedade Vamos Precisar de Todo Mundo e o Fora Bolsonaro.

“É importante reiterar essas inciativas para colocarmos em marcha nos estados e municípios  essas campanhas, com pequenas reuniões e debates, projeções . E acreditar nessa luta coletiva, decidida no nosso campo, que pode fazer essa ação política concreta com as demais organizações democráticas”.

Para Carmem, a campanha Fora Bolsonaro pode crescer usando os erros do próprio governo, mas também, por meio da unidade política e programática do campo popular. “É importante deixarmos claro que queremos o fim desse governo, não apenas de Bolsonaro. A ideia é Eles Não, porque não queremos Bolsonaro e não queremos Mourão, que tem o  mesmo projeto fascista”

UNE – Como construir o caminho que leve ao Fora Bolsonaro? Foi com essa questão que
Iago Montalvão,  presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), iniciou sua análise de conjuntura.   “Em primeiro lugar, a defesa vida – nós temos mais de 200 mil casos de contaminação e mais de 20 mil mortes no Brasil até agora, não podemos perder esse ponto”, responde ele mesmo.

Em segundo, o líder estudantil avalia que não há contradição em  combater Bolsonaro e defender a vida. “Que todos possam entender que o Fora Bolsonaro é para preservar vidas, pois com seus atos, ele impede o caminho que preserva a vida das pessoas.”

Diálogo amplo com o povo, no âmbito das redes e na vida cotidiana, por meio das ações de solidariedade. “Deixar claro que as pessoas tem direito a se isolar em defesa da vida e trazer a opinião pública para nosso lado.”

Também para Iago é a hora certa para investir nas mobilizações pela internet. “O Adia Enem foi uma vitória da mobilização popular e da juventude pelas redes sociais porque foi um pauta que unificou todos os campos, ou seja, tem um impacto na vida real das pessoas.”

O líder da UNE sugere ainda “ampliar o diálogo com setores que tem se manifestado contra o fascismo de Bolsonaro, como como a OAB, a igreja, a Comissão Arns, exemplifica.

Movimentos sociais foram os primeiros a manifestar pelo Fora Bolsonaro
Dentre os representantes dos movimentos sociais, o primeiro a fazer sua avaliação foi  Raimundo Bonfim, da coordenação nacional da Central de Movimentos Populares. O dirigente lembra que a bandeira Fora Bolsonaro já tem sido levantada pelos movimentos sociais há algum tempo, antes mesmo da crise gerada pelo Corona.

“Nossa articulação, que incluiu a União Nacional dos Movimentos por Moradia (UNMM), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB),  o Movimento Nacional dos Trabalhadores/as por Direitos (MTD) entre outros, realizou,  no dia 1º de maio um panelaço nas periferias já com esse tema do Fora Bolsonaro. “Também assinamos o pedido de impeachment entregue semana passada na Câmara”.

Em acordo com Stédile e Boulos, Raimundo Bonfim reforça a necessidade da disputa de narrativa. “Nossa campanha de solidariedade Vamos Precisar de Todo Mundo, serve como base para politizar o debate nas ações sociais.  Queremos chamar a participação dos movimentos nos estados para essa campanha, que é uma ferramenta importante para abrir o diálogo com a população”, afirmou.

Agenda das Frentes – Ao final do encontro, Lúcio Centeno, da Frente Brasil Popular – que mediou o debate – divulgou as atividades que já estão programadas pelo  #ForaBolsonaro.

29 de maio – Próxima sexta- Dia Nacional do Fora Bolsonaro – usando as redes sociais e ferramentas de diálogo com a sociedade.

5 de junho – Agitação nas redes e intensificação do #ForaBolsonaro

8 de junho – Reunião ampliada da comunicação das frentes e movimentos com o objetivo de reforçar a divulgação das ações da campanha – às 16h.

13 de Junho –  Reafirmação do Ato Nacional Fora Bolsonaro –com ações virtuais e intervenções presenciais.

Ações imediatas

– Utilizar os eixos da Plataforma de Emergência para o enfrentamento contra o Coronavírus – das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.

– Reforçar o abaixo assinado virtual para a campanha Taxar Fortunas para Salvar Vidas para que a taxação dos ricos entre na agenda do Congresso.

– Intensificar a campanha de solidariedade Vamos Precisar de Todo Mundo, que é uma campanha guarda chuva e dá visibilidade a todas as outras campanhas das Frentes. No site todomundo.org é possível fazer uma doação, cadastrar uma iniciativa ou pedir ajuda.

– Reforçar o uso do pano preto nas janelas como referência ao luto e como protesto contra o governo.

– Mobilização contra a Emenda Complementar 95

Confira o vídeo lançado nesta quarta, logo após a plenária

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