Na última semana, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em articulação e parceria com a Justiça Global, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e a Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), fez a distribuição de cestas básicas nas comunidades de Quati, Boa Sorte, Trapiá, e na sede de Pedro Alexandre (Bahia).

Desde o rompimento da barragem do Quati, em julho de 2019, que atingiu os municípios de Pedro Alexandre e Coronel João Sá, as famílias atingidas desses territórios estão passando por uma série de dificuldades. E agora, além de todos os problemas, as famílias estão precisando lidar com o Covid-19, agravando drasticamente a situação.

Nesse cenário, o MAB, que vem acompanhando a região desde o rompimento e tem feito um esforço para ajudar e organizar as famílias, articulou o ato solidário com outras organizações.

“O contexto atual de pandemia revela e intensifica desigualdades estruturais. E diante disso, ações de solidariedade articuladas e voltadas para os povos do campo, atingidos por barragens, comunidades periféricas, como a distribuição das cestas básicas em Pedro Alexandre, que contou com o apoio importante do Comitê Brasileiro de Defensores – são fundamentais” afirmou Joice Bonfim, advogada da AATR.

Mais de 70 famílias foram beneficiadas com a ação que arrecadou mais de duas toneladas de alimentos, produtos de higiene e materiais de prevenção contra a Covid-19. Sônia Mota, Diretora Executiva da CESE, afirmou que “Graças à agilidade e as articulações da equipe, tem sido possível identificar com rapidez os movimentos que precisam de apoio nesse contexto de pandemia. O diálogo com esses movimentos contribui para chegarmos às populações mais vulneráveis e ainda contamos com a agilidade e flexibilidade de agências que nos apoiam. Tem sido um mutirão de solidariedade”.

Alguns alimentos foram comprados no mercado local de Pedro Alexandre, porém uma boa parte foi comprada da produção camponesa do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores).

Garantir ações de solidariedade para as populações atingidas, nesse período tão difícil e delicado, é muito importante, sobretudo, porque essas populações sofrem constantemente com violações de direitos humanos.

“Continuaremos atentos para que os atingidos tenham seus direitos garantidos e que os mesmos consigam ser amparados em momentos difíceis como o que estamos passando. Defendemos que a vida deva estar sempre em primeiro lugar” concluiu Temoteo Gomes, da coordenação estadual do MAB.