O Programa Brasil de Fato Paraná, realizou uma live, nesta segunda (25) sobre a Campanha Periferia Viva, que tem como foco o apoio, a sobrevivência e o cuidado com os trabalhadores mais atingidos pelo isolamento social. Com pouco menos de dois meses, a Periferia Viva Surgiu dos movimentos populares nas cidades e foi ampliando e unindo-se a outras iniciativas e agora já está em vários Estados. É composta por organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), O Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD),  o Levante Popular da Juventude e outras que lutam por justiça social no país.

As convidadas para a Live, São Eliane Martins, da Coordenação Nacional do MTD, Mirelli Gonçalves, do MST Paraná, Leticia Freitas, do Levante Popular e Giorgia Prates, ativista e fotógrafa do BDF Paraná. A mediação é de Pedro Carrano.

De acordo com Eliane Martins,  que representa o MTD,  os movimentos sociais Já vinham fazendo uma reflexão sobre a solidariedade antes mesmo da pandemia, devido à clara ausência de espaços de conquistas no governo Bolsonaro. Segundo ela, a chegada da pandemia deu início a ações mais efetivas de solidariedade social, “que é diferente do assistencialismo”, ressalta ela. “Vimos que a solidariedade tem que ser ativa, que a pessoa tem que encontrar seu espaço nessas ações. Também que é preciso embutir propostas de organização para nosso povo, as pessoas  tem que saber que são parte disso, especialmente nesse momento de grave crise política, social e econômica que vivemos.

Também a consciência da participação coletiva das das pessoas tanto na sua própria defesa, no sentido de conhecer que é uma pandemia, mas que também é política é levada junto com as ações de solidariedade. “Temos que enfrentar nesse governo uma situação de genocídio, portanto a solidariedade é também uma ação política”.

Para Eliane, é preciso enxergar que os problemas atuais tem uma estrutura baseada na condução nacional. “Temos que ir por segmentos nessa conscientização, mas caminhando para um todo”. Ela cita o exemplo dos agentes populares de Saúde, uma ação do MTD com outras parcerias que acontece no Recife, no bairro do Peixinho. Os agentes são identificados na própria comunidade como aqueles que já prestam algum serviço de saúde ou atenção para a população. São formados 15 agentes de cada vez, que levam para suas ruas e seus bairros, as noções de saúde e autocuidado para as comunidades.  “Esse ação pode evitar um genocídio nas periferias, onde o corona está crescendo muito”.

Outro ponto destacado por Eliane é que as campanhas arrecadam as doações nas próprias classes trabalhadoras. ´”É o povo trabalhador que se dedica a essa pauta, a solidariedade de classe é que está fazendo acontecer”.

“O capitalismo não tem mais nenhuma proposta civilizatória para a sociedade, só tem a oferecer a barbárie, e é no caminho da solidariedade social que vamos ter que caminhar da qui para a frente”, concluiu.

Para a representante do MST Paraná, Mirelli Gonçalves, as ações do MST,  tanto a nível estadual quanto nacional, tem sido fundamentais para mudar a visão que muitas pessoas tem do movimento. “O MST tem a diretiva de chegar nos centros urbanos com organização. Não tem como separar o campo da cidade, nem pensar em reforma agrária sem o apoio da cidade.

“Nossa forma de organização tem sido por mutirões, nos reunimos para realizar uma ação, uma construção, um plantio, e essa tem sido uma forma em que nos encontramos de unir a cidade e o campo. Mas veio a pandemia e tivemos que repensar como fazer a luta e o processo organizativo”.

Mirelli explica que veio então a ideia de fazer com que os alimentos chegassem nas periferias e cidades. “E o mais importante, a maioria das nossas ações vem de acampamentos, ou  seja, de áreas que não estão legalizadas, eram áreas que estavam ameaçadas de despejo”. Segundo ela, a cidade vai percebendo que a organização do movimento, a pequena produção, e que, se tiver um pedaço de terra, o camponês consegue alimentar sua família, ter uma renda daquela produção e ainda doar para quem está precisando”.

Produção de alimentos saudáveis é outro ponto positivo destacado por Mirelle. Outra, é a relação com a natureza, ressignificando os valores da vida. “Diferente das ações do capitalismo que se utiliza da solidariedade para outros objetivos, nós somos os que estão lutando por um novo forma de viver, com qualidade de vida para as pessoas e para a terra”.

Para Letícia Freitas, representante do Levante Popular do norte do Paraná e que também integra a Periferia Viva, “nossa solidariedade é uma todo político, no sentido de a gente se relacionar enquanto classe trabalhadora”.

Ela explica que as cestas doadas pela Periferia Viva são pensadas de acordo com a situação real das pessoas. “Fazemos uma companhamento para atender às emandas reais, às vezes o que a pessoa precisa é de um gás para coiznhar”.

Letícia também ressalta que a juventude tem sido bastante ativa, participando desde a divulgação até os trabalhos externos. “Vemos que esse potencial pode crescer, a juventude é um polo importantíssimo nesse momento também”.

E finaliza: “Nesse momento, há perda de arrecadação para a população das cidades, vamos precisar de muitas mãos solidárias para lidar e solucionar essas questões que estão surgindo. Acesse nossas páginas nas redes para saber como doar ou participar”, convida.

Para a fotógrafa e ativista Giorgia Prates a disparidade social etá mais evidente durante a pandemia. “Temos notado a disparidade social crescente e agora não dá mais pra esconder. Desde a falta de  água, que afeta sempre as comunidades mais pobres. Elas não tem nem como lavar as mãos. É uma realidade muito precária”.

Ela também ressalta a dificuldade nos quilombos, que não tem não tem visibilidade, “os negros são discriminados nas cidades, imagina os que vivem isolados e ninguém vê”. Outra população que está ainda mais fragilizada, segundo ela,  é a indígena.” Estão desamparados, vamos fazer uma ação para levar 400 cestas para duas tribos aqui na região”.

Nesse ponto, Mirelle complementa: “além da fome, a população indígena tem sofrido muitos ataques nesse momento da pandemia, com pulverizações aéreas, invasão de suas terras, a ofensiva do agronegócio que vem jogando veneno nas comunidades indígenas com objetivo homicida”.