Em conversa ao vivo mediada por Lula, nesta terça-feira (19), nas redes sociais do Partido dos Trabalhadores, representantes dos movimentos dos catadores e da população de rua reinvindicaram políticas públicas e o direito à moradia. Em todas as questões abordadas pelo ex presidente, a mesma resposta: faltam políticas públicas que possam garantir a dignidade do trabalho e da sobrevivência dessas pessoas.

A pandemia do coronavírus teve um efeito devastador em toda a cadeia que envolve os catadores. Comércios, restaurantes e fábricas são a maior fonte geradora de material para esses trabalhadores. Com os estabelecimentos fechados para evitar a proliferação da doença, os mais de um milhão de catadores do Brasil viram uma redução média de 80% em sua renda, que gira em torno de um salário mínimo, de acordo com dados do Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis (MNCR).

Dentre os problemas relatados, a dificuldadde em acessar a renda básica do governo.  Segundo Luiz Henrique, representante nacional do MNCR,  até agora, somente metade dos trabalhadores do Movimento conseguiram receber o auxílio. O restante das solicitações segue em análise. Luiz Henrique lembra que nos governos Lula, as cooperativas de catadores tiveram apoio do do BNDES e da Fundação Banco do Brasil. “Hoje não temos nada mais. Em todos os estados está havendo retrocesso e sucateamento das cooperativas. E os companheiros que não estão organizados sofrem ainda mais”.  Ele ressalta que o movimento reivindica apenas os direitos adquiridos. “Temos direitos, mas os governantes não cumprem a Lei”.

Claudete Costa, presidente da cooperativa Unicatadores e, também, da coordenção nacional do MNRC, falou da mesma dificuldade. “Temos que voltar a trabalhar porque muitos catadores não conseguem receber o auxílio emergencial.”

Ela lembrou que a categoria teve apoio e dignidade nos governos Lula, cuja Política Nacional de Resíduos Sólidos foi construída ouvindo todos os setores, inclusive os catadores de recicláveis. “Tudo que foi construído, foi destruído. O Bolsonaro não quer saber dos vulneráveis, seja da cidade ou do campo, ele não se importa”, lamenta.

E prossegue: “O prefeito do RJ (Marcelo Crivela- Republicanos)  não ajudou em nada até agora, sou da Cidade de Deus, e não recebemos nada do governo, nem pelos filhos que estão matriculados como ele faz propaganda. Três hospitais de campanha foram construídos sem licitação e não estão funcionando. Ele, o governador (Wilson Witzel- PSC) e Bolsonaro são a mesma coisa: eles não sentam com a população para saber como enfrentar a realidade, tudo é bonito no papel, mas na prática é muito diferente”.

Indagada pelo ex presidente sobre a questão da violência nas comunidades do Rio que, nesta segunda-feira (18), teve mais uma criança assassinada pela polícia, o menino João Pedro, morto dentro de casa enquanto brincava com os primos. Claudete detalha que a situação só tem piorado para a população das periferias, pois a polícia faz operações a todo momento, joga granadas de helicópteros e invade as casas, matando pessoas até mesmo dentro de suas habitações. “Não podemos sair para trabalhar por causa do vírus e nas nossas comunidades tem a polícia nos oprimindo. Está difícil viver, especialmente pelas perdas das políticas públicas. Tudo que tínhamos conquistado nos governos do PT se perdeu.”

A MNRC criou uma campanha para receber doações e distribuir alimentos e produtos de higiene para os catadores, especialmente aqueles que não conseguiram receber a renda básica do governo. Para doar acesse o site solidariedadeaoscatadores.com.br 

Pessoas em situação de rua – Lula perguntou a Vanilson Torres, coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua no Rio Grande do Norte – PopRua – como está a vida dessas pessoas . Vanilson diz que a situação piorou muito com a pandemia mas que os que vivem nas ruas sempre viveram à margem da sociedade e com muita dificuldade.

“Lutamos por políticas públicas estruturantes, de moradia, emprego e renda. Mas nesse momento, estamos organizados com ações de solidariedade em todo o país, com doações de alimentos, água potável, máscaras”.

Vanilson explica que, em algumas cidades, há abrigos para receber quem vive nas ruas, durante o Covid, mas são poucos e sempre há uma lista de espera.  “Conseguimos parceria com instituições públicas onde nossos companheiros estão sendo recebidos em abrigos, mas não há uma politica de moradia para a população de rua, muitas vezes não temos água potável para beber.”

Jessica Teixeira, também da Coordenação Nacional da PopRua (MG)– lembra que a população de rua não tem telefones ou computadores para solicitar a renda básica. “Como vamos receber se não temos como solicitar? Nos falam para ficar em casa, mas que casa? Nós não temos casa! Não temos como tomar um banho, como vamos nos higienizar para evitar o contágio?

Ela relata que os restaurantes populares também não estão funcionando. “Se não pudermos contar com a ajuda das pessoas, não temos comida”

“O que nós precisamos é moradia, antes, durante e depois da pandemia essa é nossa principal luta. É direito de todos ter onde morar”.

Ao finalizar a conversa Lula emociona a todos: “Não tem outro jeito a não ser continuar na luta, gente. Os nossos problemas continuam, o vírus do desemprego, dos baixos salários, da falta de políticas públicas. Eu não estou à altura da capacidade de vocês, que no lugar onde estão, na situação dura que vivem, e vocês não perderam o humanismo, o amor e a solidariedade.”

A constatação de alguém que assistiu à conversa entre o ex presidente e essa gente tão real e tão sofrida é que Lula não precisa de nenhum cargo para ser nobre. Ele é nobre porque sente, na pele, a dor do ser humano.

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