Nomes como Caetano Veloso, Daniela Mercury, Betty Faria, Alessandra Negrini e Bruno Gagliasso, entre diversos outros, fazem um apelo ao deputado Marcelo Ramos (PL-AM), para que não vote agora o ‘PL da Grilagem’: “Este não é o momento de discutir outro assunto que não seja o combate à Covid-19”.

Uma campanha realizada por atrizes, atores e artistas do mundo da música faz um apelo aos parlamentares em Brasília: não discutam, nem votem agora o projeto de lei que dará anistia a grileiros na Amazônia.

Trata-se do PL 2633, apelidado pela oposição de ‘PL da Grilagem’. Participam da iniciativa, que tem um vídeo com mensagens críticas à proposta, nomes como Caetano Veloso, Daniela Mercury, Betty Faria, Alessandra Negrini, Malu Mader, Marcos Palmeira, Guilherme Weber, Bruno Gagliasso, Charles Gavin, Gaby Amarantos, entre outros atores e cantores.

“Em plena pandemia, a MP 910 virou PL 2633, o PL da Grilagem”, informa Caetano, no início da peça. “Este não é o momento de discutir outro assunto que não seja o combate à Covid-19”, diz a atriz Betty Faria. “Deputado Marcelo Ramos, o senhor acha que agora é o momento para discutir um PL que nada tem a ver com esse tema?”, questiona Rafael Cortez.

O apresentador se refere ao deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), integrante da bancada ruralista e relator do projeto na Câmara.

Depois de uma intensa polêmica em torno da Medida Provisória 910, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu tirá-la da pauta na semana passada para que o tema da regularização fundiária fosse tratado por um projeto de lei que não desse qualquer margem de estímulo à grilagem ou a crimes ambientais.

O deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), relator da Medida Provisória (MP) 910, apresentou, no entanto, na última quinta-feira (14), o Projeto de Lei 2633/2020, que trouxe a mesma proposta, inaugurando mais um capítulo da disputa política em torno da medida. A tendência é que a pauta esteja no foco das diferentes bancadas nesta e nas próximas semanas.

“Não vote no projeto 2633 agora” e “No meio da pandemia, a prioridade é essa?” são alguns dos apelos feitos na campanha dos artistas.

MST – Para a coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Kelli Mafort, é muito importante impedir o andamento  do projeto. De acordo com ela, caso a medida seja aprovada, 65 milhões de hectares de terras públicas serão passados aos ruralistas. “Se isso fosse para o povo do campo e reforma agrária, certeza que diminuiria a fome e a desigualdade. Urgente são as vidas e não esse PL da morte’, afirma a dirigente.

Somente durante o período de isolamento social, o MST já doou mais 1200 toneladas de alimentos agroecológicos e mais de 50 mil marmitas para os moradores mais vulneráveis das cidades. São milhões de pessoas completamente desassistidas pelo governo e sem nenhuma alternativa de renda durante o isolamento social provocado pelo coronavírus, para quem os movimentos sociais estão sendo a única fonte de alimentação nesse momento.

Brasil 247 com edição do todomundo.org

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