Apesar de condições desiguais provocadas pela pandemia, MEC insiste em manter calendário. Um ano depois do #15M, governo é alvo de manifestações virtuais

Entidades do movimento estudantil realizaram nesta sexta-feira (15) uma manifestação on-line nas redes sociais pelo adiamento do Enem. A data remete ao “Tsunami da Educação”, que no ano passado levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas de todo o país em defesa das universidades e do ensino público. O movimento faz parte da campanha “Sem aula, sem Enem“.

Para as organizações, a manutenção do calendário do Exame Nacional do Ensino Médio em meio à pandemia de covid-19 agravará as condições de desigualdade para acesso ao ensino superior. Além do risco à saúde, os jovens reclamam da falta de estrutura de muitos alunos pelo Brasil. O Ministério da Educação nega alterações no calendário de inscrições e de provas.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) chegaram a acionar o Superior Tribunal de Justiça esta semana, pleiteando o adiamento do Enem. Mas o STJ negou ser instância competente para julgar a ação. “A gente também tem uma petição que já passou de mais de 150 mil assinaturas pedindo adiamento, para poder pressionar e barrar esse exame”, diz a presidenta da Ubes, Rozana Barroso.

Desigualdade

Com as escolas fechadas, o recurso ao ensino a distância acentua a situação de desigualdade, já que muitos estudantes não têm acesso aos meios digitais. Uma pesquisa realizada pela ONG Casa Fluminense identificou que quase metade dos candidatos do Enem não tem computador em casa para acompanhar aulas on-line. E que a maioria a maioria dos estudantes frequenta escolas públicas e vive em estados do Norte e do Nordeste.

“A gente tem um cenário de alunos que precisa compartilhar quarto. Não têm um ambiente silencioso para estudar, estão fazendo leituras e atividades escolares através de celulares e, muitas vezes, têm que dividir seu horário do dia com atividades profissionais, com cuidados com família, com filhos e outras atividades necessárias para a sobrevivência”, diz a antropóloga Yasmim Monteiro, da Casa Fluminense, ao jornal O Globo.

Em São Paulo, a coordenadora estadual da Rede Emancipa, Luana Alves, afirma que boa parte de seus alunos só acessam a internet por meio do celular. “Os alunos da escola pública já têm uma dificuldade para competir em pé de igualdade. A gente fez uma pesquisa com os 5 mil inscritos da Rede Emancipa e 98% tem acesso à internet, mas só 50% pelo computador”, relata Luana, em entrevista à Dayane Ponte, da TVT.

Sem espaço

De acordo com a campanha, 80% dos alunos matriculados no ensino médio público estão com as aulas suspensas. Além disso 40% dos alunos não possuem espaço específico e adequado para estudo domiciliar.

Rozana Barroso afirma que a maioria das escolas pelo Brasil ainda dão aulas com quadro negro e giz. “Nesse momento, é irresponsável cobrar estrutura dos alunos para o ensino à distância”, afirmou.

Para a dirigente da Ubes, a importância da campanha é proteger os sonhos da juventude brasileira. “É uma injustiça manter um exame tão importante na vida de tantos jovens durante uma pandemia que tem matado milhares de pessoas. Parece que o governo Bolsonaro ainda não entendeu o problema.”

Fonte RBA

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