Durante a live realizada na página da Central de Movimentos Populares (CMP), nesta sexta-feira (15), com Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, a presidenta do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, afirmou que a legenda vai entrar com pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão no parlamento. E convidou os movimentos sociais a se engajarem nessa bandeira. Gleisi também reafirmou a importância das ações solidárias que as organizações populares estão realizando em todo o país e tem sido a única alternativa de sobrevivência para milhares de pessoas.

Apesar de o Coronavírus tornar mais evidente a incapacidade do governo em resolver os problemas da nação, Gleisi lembra que o Brasil já estava em crise antes da pandemia e que o partido e a oposição sempre fizeram oposição sistemática à política de destruição que Bolsonaro busca implementar.

#ForaBolsonaro – “Estamos trabalhando pelo Fora Bolsonaro, junto com os outros partidos de oposição. Nós aprovamos que o PT vai entrar coletivamente com pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, no parlamento. Já temos ação no STF pedindo indiciamento do Bolsonaro e do Moro pelos crimes que cometeram, mas agora, nós e um conjunto de entidades e juristas renomados e toda a oposição no Congresso, decidimos também, pelo julgamento político”, diz ela.

E continua: “Com Bolsonaro não há saída para o país e o Mourão é a mesma coisa, ele trata os movimentos sociais na base de polícia, e nós temos que tratar dos anseios da população como políticas públicas. Eles devem sair pelas mãos do povo, por isso a importância do apoio dos movimentos e organizações populares nessas ações”.

”Também, tem uma parte das classes alta e media que está envergonhada de ter apoiado Bolsonaro, temos que aproveitar isso”, continua.

A demissão do ministro da Saúde, ocorrido nesta sexta (15), com menos de um mês no cargo, o segundo em meio à pandemia, foi citada por Gleisi como mais um desrespeito à vida da população. “Ele briga com todo mundo que não esteja de acordo, não faz nada e ainda se contrapõe aos governadores, que estão fazendo um bom trabalho de enfrentamento ao vírus, especialmente os do nordeste. Os Estados estão gastando muito dinheiro para mandar buscar respiradores, porque o governo federal não disponibiliza os avões da FAB para isso?”.

Gleisi destaca ainda que Bolsonaro vetou a emenda do PT que previa a ampliação dos R$ 600 reais da renda básica para outros setores, como taxistas, entregadores, donas de casa. E cita a importância de um Estado forte, ao contrário da política privatista do governo. “Nesse momento, se não fosse o Sistema Único de Saúde, como estaríamos enfrentando uma pandemia? A rede particular não resolve, quem resolve é o SUS, público e universal”.

Ações do PT para enfrentar a crise

A presidente elenca as medidas tomadas pelo PT, juntamente com outros seis partido no Congresso no enfrentamento dos problemas decorrentes do isolamento social. “Nós atuamos em conjunto com as propostas de interesse do povo brasileiro”.

Desde a renda emergencial, à ampliação para outros setores, apoio às micro e pequenas empresas, projetos para proteção  das mulheres durante a quarentena, ajuda aos estados e municípios, e ações na Justiça, como a que solicita que o governo  disponibilize mais bancos para facilitar o pagamento do auxílio emergencial. “Temos outros bancos públicos que podem fazer isso, como o Banco do Brasil, o Basa, o BRB, além das lotéricas e Correios.”

O PT também tem uma ação para que não seja exigido o CPF da família para receber o auxílio.  Outra medida do Partido é para estender a renda básica, que é garantida por três meses, por até um ano. “Vai demorar para reconstruir a economia nacional e para as pessoas voltarem a ter suas fontes de renda, é preciso apoio para esse retorno”

Outra ação é um projeto para fixar o valor do botijão de gás em R$49 reais. “Na refinaria custa 22 reais, não tem justificativa esse preço abusivo. A Petrobras é uma empresa de economia mista, tem que dar retorno para o povo.”

Desigualdade social – Diante dos dados do IBGE apresentados por Raimundo Bonfim sobre renda per capita, mostrando que 105 milhões de pessoas vivem com R$ 438 por mês ou seja, R$ 15 por dia, e 10% vivem com R$ 112 por mês, ou R$ 3, 73 centavos por dia, Gleisi cita alternativas para diminuir o abismo social que só cresce no Brasil desde que Bolsonaro assumiu o governo.

Renda básica permanente- Uma delas é a renda básica permanente, proposta que o Partido dos Trabalhadores buscou implementar por meio do Bolsa Família, desde o primeiro governo Lula, e depois, como plataforma de Fernando Haddad nas eleições de 2018.

A presidenta ressalta que o Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade social do mundo. “Mais de 70% da população ganham até dois salários mínimos. A maioria recebe apenas um. Nós sabemos que é possível melhorar a vida do povo porque em nossos governos fizemos isso”.

Taxar as grandes fortunas – Outra proposta para diminuir a desigualdade social, é a taxação de grandes fortunas: quem ganha muito deve ser taxado sobre lucros e dividendos. A presidenta explica que pagar Imposto de Renda é para os assalariados, que tem o desconto todo mês no contracheque. “O rico não é taxado, os mais ricos tem que pagar mais porque ganham mais”. A campanha Taxar Fortunas para Salvar Vidas está recolhendo assinaturas de apoio para pressionar o Congresso nesse sentido.

#AdiaEnem – Gleisi também ressaltou a importância do apoio à campanha #AdiaEnem, lançada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) quee está coletando assinaturas para o adiamento do processo seletivo em decorrência da pandemia. O governo anunciou que vai manter o calendário para esse ano, comprometendo a milhares de estudantes que não tem acesso à internet ou ambiente propício aos estudos. “Nós implementamos o Enem para dar oportunidades de que mais estudantes tenham acesso ao ensino superior. E o governo vai na contramão disso, que é deixar de fora a muitos que não tem como estudar nesse período.”

Vamos Precisar de Todo Mundo – A presidenta agradeceu o trabalho dos movimentos sociais e organizações de trabalhadores,  que estão promovendo ações de solidariedade em todo o país, especialmente por meio da Campanha Vamos Precisar de Todo Mundo, criada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo para reunir ações e doações para a parcela da população eu está mais fragilizada pelo isolamento social.  No site da campanha, o  todomundo.org,
há opções para doar, cadastrar uma iniciativa solidária ou pedir ajuda se for o caso.

Movimentos sociais em ação
Em sua fala, Raimundo Bonfim lembrou que a CMP, a Marcha Mundial as Mulheres (MMM) e o Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) foram as primeiras entidades a pedir o Fora Bolsonaro. Ele diz que as organizações já estão debatendo essa decisão e a tendência é  ampliar a adesão dos movimentos sociais e da sociedade civil. “A gente recebe com alegria essa decisão do PT, somos sintonizados com as causas  do partido no Congresso”.

Bonfim destaca que, até agora cerca de 6 milhões de pessoas ainda não receberam a 1ª parcela do auxílio emergencial. Além disso, 13 milhões estão com cadastro inconcluso e sem acesso a qualquer renda. “Sabemos que nesse momento é difícil debater eleições gerais, mas temos que fazer essa discussão, temos que caminhar para outro projeto de governo”.

De acordo com o dirigente, enquanto outros países investem de 10% a 17% do PIB no enfrentamento à pandemia, o Brasil planeja usar no máximo até 4,7%  “e muito desse dinheiro está sendo destinado para salvar os mais ricos, os bancos, e não para auxiliar os mais pobres”, afirma.

“Por isso, nossas ações de solidariedade são também de denúncia, por exemplo, numa ação em São Paulo, provamos que é possível vender o botijão de gás a R$40, ou seja, os preços são abusivos”. E complementa: “Para nós, a batalha vai mais além desse momento de pandemia, precisamos derrubar o governo Bolsonaro, precisamos de outro projeto político para o Brasil.

Assista à live na íntegra
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CMP ao vivo com Gleisi Hoffman e Raimundo Bonfim

A presidenta do PT, deputada federal Gleisi Hoffman (PT-PR), e o coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, debatem, nesta sexta-feira, ações de solidariedade e medidas de enfrentamento ao coronavírus em curso no Parlamento e iniciativas dos movimentos Populares, bem com a atuação do PT no Congresso Nacional, a luta dos movimentos populares por direitos e por Fora Bolsonaro e Mourão.

Publicado por CMP Brasil em Sexta-feira, 15 de maio de 2020