Roberto Oliveira, da coordenação nacional do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) e Élida Helena, vice-presidenta da UNE e militante do Levante Popular da Juventude, conversaram ao vivo sobre o tema “Vamos precisar de todo mundo! Solidariedade durante a pandemia”. No debate, que aconteceu nesta terça-feira (12) na página do MAB no Facebook, Roberto e Élida ressaltaram que a solidariedade e a organização social tem se destacado como os fatores diferenciais para milhares de pessoas nesse momento de isolamento social. Outro consenso é o #ForaBolsonaro.

Para Roberto, o momento crítico que se apresenta a nível internacional, é agravado no Brasil pelo projeto do governo Bolsonaro, que ataca os trabalhadores e a população mais pobre do país. “Nesse cenário, destacam-se as ações solidárias mas, mais ainda, a importância da organização dos trabalhadores, dos movimentos sociais, das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que estão agindo efetivamente para levar o auxílio às camadas mais atingidas por esse crise”.

Um exemplo dessa capacidade de organização citado por Roberto é a campanha Vamos Precisar de Todo Mundo, cujo site todomundo.org reúne iniciativas de solidariedade organizadas pelos movimentos sociais, estudantes e trabalhadores de todo o país. Ele ressalta que a solidariedade não é novidade entre o povo trabalhador e, sim, um dos seus princípios naturais. O que faz a diferença, especialmente em situações de crise, é o nível de organização social envolvida nas ações de solidariedade. “O povo já pratica solidariedade a todo momento, a classe rica é que não faz isso e não fará, porque não é de seus princípios. A campanha tem o objetivo de promover amplamente a solidariedade. Não é para fazer marketing e sim, para estender de fato a mão às pessoas. E as organizações sociais estão conseguindo fazer o que o governo não faz: chegar onde é preciso, com alimentos e apoio aos mais necessitados”.

Nesse sentido, a importância das bandeiras de luta do MAB  ficam ainda mais evidentes, como o conceito de que energia e água são direito de todos e não deveriam ser tarifados. Durante a pandemia, o Movimento lançou uma campanha reforçando a necessidade de isenção das tarifas de água, luz e distribuição de gás de cozinha para a população carente. “Esses gastos representam metade de um salário mínimo, o que faz muita diferença para a vida das famílias. A campanha tem avançado, alguns governos estaduais já sinalizam com essa possibilidade, mas temos que continuar com essa conscientização”, diz ele.

Além das campanhas de luta pela água e energia, o MAB já doou cerca de 2000 cestas, produtos de higiene e limpeza e máscaras, em pouco mais de um mês de campanha.  “Ajudar o povo em cada local, em cada estado, desde o acesso à renda básica, até a luta em torno da questão da energia, luz e água. É no nível da organização social que podemos elevar o nível de consciência para uma sociedade mais igualitária, mais justa e mais humana”, afirma Roberto.

O 1º de Maio, com o  ato nacional unificado pelo Dia dos trabalhadores, marcou ações solidárias em todo o país, com doações de mais de 1500 toneladas de alimentos agroecológicos e cestas básicas, o kit corona (álcool em gel, máscaras e produtos de limpeza e higiene), além de gás de cozinha e até materiais de construção.

Para Élida Helena, vice-presidente da Une e representante do Levante Popular da Juventude, a crise sanitária causada pelo vírus só agrava uma crise que já existia pelo projeto do atual governo. Ela explica que, no caso dos estudantes, as dificuldades tem sido enormes, pois 70% vivem da informalidade para pagar os estudos e se sustentar, não tendo nenhum tipo de auxílio do governo e muitas vezes, nem acesso à internet ou aulas remotas. Outro problema, é que alguns reitores de universidades públicas estão cortando as bolsas estudantis. “Nós da UNE, elaboramos o plano de emergência da Educação e estamos nos mobilizando para a construção de ações para enfrentar esses problemas”.

Outra luta dos estudantes é para que seja adiado o Enem. Élida explica que a manutenção da data pelo ministério da Educação é parte do projeto do governo que visa segregar cada vez mais o acesso ao ensino público. “É impossível dizer que os estudantes continuam com o mesmo acesso remoto, sem as aulas e o ambiente estudantil. Milhares estão sem condições de estudar nesse momento, então, vemos que essa decisão do governo é para limitar o acesso dos estudantes mais pobres à Educação”.

A campanha #AdiaEnem, criada pela UNE e apoiada pelos movimentos sociais, com o objetivo de pressionar o governo a adiar o processo seletivo, já tem milhares de assinaturas.

Élida lembra que  o Levante Popular está realizando ações de solidariedade junto à população por meio da campanha Nós por Nós, que surgiu da necessidade de ocupar uma lacuna que o governo não atua. “Estamos organizando os jovens enfrentar esse projeto que está em curso hoje elevar alternativas ao povo que está desassistido nos bairros e periferias”.

Ela diz ainda que é importante “que essa geração viva o sentido da solidariedade e transmita isso, como um legado desse tempo e dessa juventude”.

O #ForaBolsonaro é consenso entre todos os movimentos sociais, entidades, coletivos, sindicatos e voluntários que compõem a campanha Vamos Precisar de Todo Mundo.

A mediação do debate foi de Leonardo Fernandes.

Acompanhe o debate na íntegra:

📌 MAB AO VIVO |"Vamos precisar de todo mundo! Solidariedade durante a pandemia"

📌 MAB AO VIVO | Roberto Oliveira da coordenação nacional do MAB e Élida Helena, vice-presidenta da UNE e militante do Levante Popular da Juventude, estão ao vivo na live "Vamos precisar de todo mundo! Solidariedade durante a pandemia".

Publicado por Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB em Terça-feira, 12 de maio de 2020